Eleições de meio de mandato nos EUA definem futuro político de Donald Trump
Eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira para renovar o Congresso em um pleito que pode paralisar a agenda governamental ou fortalecer a maioria republicana.
Os cidadãos dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O pleito é responsável por renovar todas as 435 cadeiras da Câmara dos Deputados e 35 das 100 vagas do Senado Federal, definindo qual partido controlará o Congresso e impactando diretamente a governabilidade da gestão de Donald Trump.
Atualmente, o Partido Republicano detém a maioria em ambas as Casas legislativas, com 218 assentos na Câmara e 53 no Senado. A disputa atual indicará se os republicanos conseguem manter essa hegemonia ou se os democratas retomam o controle do Legislativo federal para os próximos anos.
O cenário político que antecede a votação, contudo, apresenta desafios para o presidente. Pesquisas de opinião divulgadas pela Reuters/Ipsos na véspera do pleito apontam que a aprovação de Donald Trump está em 32%, aproximando-se do pior índice de sua gestão, que foi de 31% registrado em outubro. O mesmo levantamento indicou que 46% dos eleitores pretendem votar em candidatos democratas, enquanto 38% preferem os republicanos.
Entre os eleitores independentes, sem filiação partidária fixa, metade dos entrevistados afirmou que o voto no Congresso servirá como um posicionamento de oposição a Trump. Adicionalmente, pesquisas do Economist/YouGov e sondagens do The New York Times em estados decisivos apontam vantagem para os democratas, aumentando a expectativa de uma possível virada em parte do Congresso.
Caso o Partido Democrata alcance a maioria em uma das Casas, a administração de Trump enfrentará fortes barreiras institucionais. Os opositores passarão a presidir comissões parlamentares, com plenos poderes para convocar secretários, exigir documentos, bloquear o orçamento federal e intensificar investigações sobre a gestão republicana.
Especialistas apontam que a perda da Câmara para a oposição também viabilizaria a abertura de novos processos de impeachment. Embora a condenação exija uma maioria qualificada de dois terços no Senado — cenário considerado improvável apenas com votos democratas —, o instrumento poderia ser utilizado com foco na mobilização política.
Em contrapartida, se os republicanos mantiverem o controle do Congresso, Donald Trump terá o caminho livre para avançar com pautas conservadoras, como cortes de impostos, restrições mais rígidas à imigração e reformas no sistema de saúde. A maioria no Senado também asseguraria a continuidade na nomeação de juízes alinhados ao pensamento conservador para os tribunais federais e para a Suprema Corte.