Trump vota antecipadamente nas midterms e volta a alegar fraudes
O presidente dos Estados Unidos compareceu às urnas na Flórida e questionou a lisura do processo eleitoral norte-americano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, votou de forma antecipada no sábado (24), na Flórida, para as eleições de meio de mandato que definirão o controle do Congresso norte-americano no próximo dia 3 de novembro. Acompanhado pela primeira-dama Melania Trump em um local de votação em West Palm Beach, próximo à residência do casal em Mar-a-Lago, o líder republicano confirmou aos jornalistas ter votado a favor de seu partido.
Antes de seguir para um comício de campanha na Geórgia, Trump voltou a questionar a segurança do sistema eleitoral do país. Sem apresentar provas concretas, o presidente alegou a existência de fraudes em massa no pleito de 2020 e afirmou que haveria cédulas inválidas em Los Angeles, cidade de maioria democrata. Anteriormente, o republicano já havia sugerido a nacionalização das eleições e defendido que integrantes de seu partido assumissem o controle da votação em determinadas localidades, embora a administração do processo eleitoral seja uma atribuição constitucional dos Estados.
As eleições legislativas ocorrem em um cenário de baixa popularidade para o atual governo. Às vésperas das midterms, Trump registra uma taxa de aprovação de 33% entre a população, o menor índice para um presidente neste período do século. A desaprovação pode representar a perda de cadeiras importantes para o Partido Republicano tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.
Entre os principais fatores de desgaste para a administração republicana estão as repercussões da guerra travada contra o Irã no Oriente Médio, iniciada no final de fevereiro. O fechamento do estreito de Ormuz intensificou a pressão sobre os preços dos combustíveis, e a inflação nos Estados Unidos atinge o ritmo mais acelerado dos últimos três anos, encarecendo produtos básicos e gerando forte insatisfação entre os consumidores.
A incerteza sobre a aceitação de um eventual revés eleitoral também marca o período pré-eleitoral. Uma pesquisa realizada em conjunto por Washington Post, ABC News e Ipsos e divulgada em 20 de outubro revelou que sete em cada dez norte-americanos não confiam que Trump reconhecerá o resultado das urnas caso seu partido seja derrotado nas eleições legislativas de novembro.
A falta de confiança na postura do presidente abrange inclusive a sua base de apoio. O levantamento apontou que 36% dos eleitores republicanos não acreditam que o mandatário aceitaria uma derrota. Entre os eleitores independentes, o índice de desconfiança chega a 77%, enquanto entre os democratas a desconfiança atinge 94%.