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Eleições nos EUA: latinos se tornam trunfo democrata nas midterms

Pressionados pela inflação e por operações do ICE, eleitores latinos podem redefinir o controle do Congresso americano.

Por 3 min de leitura

Eleições nos EUA: latinos se tornam trunfo democrata nas midterms
Eleições nos EUA: latinos se tornam trunfo democrata nas midterms

Às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), o eleitorado latino desponta como o principal trunfo do Partido Democrata para tentar reverter a maioria republicana no Congresso. Pesquisas eleitorais recentes indicam que os latinos, que representam cerca de 13% da população total do país e são a maior minoria étnica, devem votar em uma proporção significativamente maior em candidatos democratas do que em republicanos, com projeções de apoio que chegam a 61%.

O cenário marca uma virada em relação ao pleito presidencial de 2024, quando Donald Trump conquistou uma parcela expressiva de 44% desse eleitorado. Nos últimos dois anos, no entanto, o apoio ao atual presidente derreteu devido a dois fatores principais: a política migratória, marcada pelas ostensivas batidas e deportações em massa do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), e a condução da economia, com tarifas comerciais que encareceram o custo de vida e afetaram de forma severa as comunidades latinas, tradicionalmente de menor renda.

Segundo especialistas e levantamentos de institutos como o Pew Research e o Times/Siena, a insatisfação com as ações do ICE fez crescer a percepção de que a atual administração ameaça as comunidades imigrantes. Além disso, a inflação alimentada pelo protecionismo econômico gerou um impacto profundo, fazendo com que cerca de dois terços dos eleitores latinos passem a confiar mais nos democratas tanto na questão migratória quanto na econômica.

A mobilização desse grupo também impacta estados decisivos, como o Texas, onde os latinos compõem quase um terço do eleitorado e podem protagonizar uma guinada histórica. Na disputa acirrada pelo Senado estadual, o candidato democrata aparece à frente nas pesquisas, impulsionado pela insatisfação popular com as diretrizes da Casa Branca.

Enquanto isso, cidadãos estrangeiros residentes nos Estados Unidos enfrentam o pleito sob forte tensão. No caso da comunidade brasileira, que conta com mais de 265 mil eleitores aptos a votar no exterior, o temor de abordagens do ICE durante a movimentação para as seções eleitorais elevou a apreensão. Entidades locais e o Itamaraty adotaram medidas de mitigação, como a transferência de locais de votação para espaços protegidos, a exemplo de campi universitários e escolas, para garantir maior segurança e conforto aos votantes.

Apesar do receio de um aumento nas abstenções decorrente do clima de insegurança, organizações comunitárias registram esforços de mobilização para viabilizar o transporte e a participação dos eleitores. O desfecho das eleições legislativas desta terça-feira poderá impor um contrapeso político inédito ao segundo mandato de Trump, limitando a execução de suas políticas de imigração e tarifas caso os democratas recuperem o controle do Congresso.

Fontes consultadas

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