Escudo das Américas gera críticas e alerta político no Brasil
Iniciativa de segurança liderada pelos Estados Unidos é vista pelo governo brasileiro como estratégia de cerco e dominação regional.
O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que a iniciativa conhecida como Escudo das Américas, lançada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca impor um cerco ao Brasil. Segundo o diplomata, a justificativa oficial de combate ao crime organizado seria falsa e funcionaria como pretexto para um esquema de dominação na América Latina.
A coalizão reúne governos latino-americanos de ultradireita alinhados a Washington, incluindo as administrações de Javier Milei na Argentina, Abelardo de la Espriella na Colômbia e Nayib Bukele em El Salvador. Recentemente, a pedido do governo norte-americano, o bloco firmou um acordo para classificar facções criminosas como ameaças compartilhadas e alvos de sanções, incluindo organizações brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Integrantes do Palácio do Planalto classificaram a medida como grave e avaliaram que ela pode abrir caminho para intervenções militares na região, a exemplo de episódios passados na Venezuela e na Colômbia. Enquanto aliados automáticos de Trump aderiram por afinidade ideológica, autoridades brasileiras apontam que nações como Equador, Paraguai e Panamá participaram por estratégias voltadas a obter recursos financeiros ou evitar operações militares em seus territórios.
A designação das facções brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos também foi rejeitada por auxiliares de Luiz Inácio Lula da Silva, que argumentam que tal rotulação não resolve a problemática do crime organizado. A postura brasileira contrasta com a de outros países da região que buscam estreitar laços com a iniciativa.
Em paralelo, Amorim criticou o uso de tarifas comerciais por parte de Washington contra produtos brasileiros, classificando as medidas como um instrumento de intimidação política durante o processo eleitoral do país. O governo norte-americano impôs alíquotas de 25% e 12,5% sob alegações de práticas comerciais desleais e falhas no combate ao trabalho forçado, argumentos rechaçados por negociadores brasileiros.
Enquanto o governo brasileiro denuncia a iniciativa como um mecanismo de pressão e cerco geopolítico, líderes de outros países adotam diferentes posturas. Na Colômbia, por exemplo, o vice-presidente José Manuel Restrepo defendeu a integração ao Escudo das Américas como uma oportunidade para fortalecer a segurança, combater o narcotráfico e atrair investimentos estrangeiros bilionários em setores estratégicos.
No âmbito regional, o avanço da coalizão liderada por Trump também tem gerado reações da oposição de esquerda. O ex-presidente da Bolívia Evo Morales convocou encontros com líderes de movimentos sociais para articular uma resposta coletiva ao bloco, comparando a nova articulação regional a estratégias de repressão política do passado.
Fontes consultadas
- ‘Escudo das Américas’: Amorim denuncia estratégia de Trump para impor ‘cerco’ ao Brasil brasil247.com
- 'Escudo das Américas' de Trump tenta impor 'cerco' contra o Brasil sob argumento 'falso' de combate ao crime, diz Amorim | G1 g1.globo.com
- Evo abre reunión de Runasur y anuncia que buscará responder al Escudo de las Américas unitel.bo
- Colombia impulsa inversión y seguridad en el Escudo de las Américas ifmnoticias.com
- Meet Katie Zacharia, Trump’s new White House press secretary yahoo.com