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Política

Escudo das Américas gera críticas e alerta político no Brasil

Iniciativa de segurança liderada pelos Estados Unidos é vista pelo governo brasileiro como estratégia de cerco e dominação regional.

Por 3 min de leitura

Escudo das Américas gera críticas e alerta político no Brasil
Escudo das Américas gera críticas e alerta político no Brasil

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que a iniciativa conhecida como Escudo das Américas, lançada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca impor um cerco ao Brasil. Segundo o diplomata, a justificativa oficial de combate ao crime organizado seria falsa e funcionaria como pretexto para um esquema de dominação na América Latina.

A coalizão reúne governos latino-americanos de ultradireita alinhados a Washington, incluindo as administrações de Javier Milei na Argentina, Abelardo de la Espriella na Colômbia e Nayib Bukele em El Salvador. Recentemente, a pedido do governo norte-americano, o bloco firmou um acordo para classificar facções criminosas como ameaças compartilhadas e alvos de sanções, incluindo organizações brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Integrantes do Palácio do Planalto classificaram a medida como grave e avaliaram que ela pode abrir caminho para intervenções militares na região, a exemplo de episódios passados na Venezuela e na Colômbia. Enquanto aliados automáticos de Trump aderiram por afinidade ideológica, autoridades brasileiras apontam que nações como Equador, Paraguai e Panamá participaram por estratégias voltadas a obter recursos financeiros ou evitar operações militares em seus territórios.

A designação das facções brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos também foi rejeitada por auxiliares de Luiz Inácio Lula da Silva, que argumentam que tal rotulação não resolve a problemática do crime organizado. A postura brasileira contrasta com a de outros países da região que buscam estreitar laços com a iniciativa.

Em paralelo, Amorim criticou o uso de tarifas comerciais por parte de Washington contra produtos brasileiros, classificando as medidas como um instrumento de intimidação política durante o processo eleitoral do país. O governo norte-americano impôs alíquotas de 25% e 12,5% sob alegações de práticas comerciais desleais e falhas no combate ao trabalho forçado, argumentos rechaçados por negociadores brasileiros.

Enquanto o governo brasileiro denuncia a iniciativa como um mecanismo de pressão e cerco geopolítico, líderes de outros países adotam diferentes posturas. Na Colômbia, por exemplo, o vice-presidente José Manuel Restrepo defendeu a integração ao Escudo das Américas como uma oportunidade para fortalecer a segurança, combater o narcotráfico e atrair investimentos estrangeiros bilionários em setores estratégicos.

No âmbito regional, o avanço da coalizão liderada por Trump também tem gerado reações da oposição de esquerda. O ex-presidente da Bolívia Evo Morales convocou encontros com líderes de movimentos sociais para articular uma resposta coletiva ao bloco, comparando a nova articulação regional a estratégias de repressão política do passado.

Fontes consultadas

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