Especialistas defendem a prescrição médica detalhada de exercícios físicos
Artigo científico publicado recentemente argumenta que a atividade física deve ser tratada como uma intervenção estruturada na área da saúde.
Especialistas em saúde pública e psiquiatria publicaram um artigo na revista científica Brain Health defendendo que a atividade física seja prescrita de maneira detalhada e específica nas consultas médicas, assim como ocorre com os tratamentos medicamentosos. Segundo os autores, o exercício não deve ser encarado apenas como uma recomendação genérica de estilo de vida, mas sim como um componente essencial no cuidado com a saúde cerebral e na prevenção de distúrbios neurológicos e mentais.
O documento é assinado por pesquisadores dos departamentos de psiquiatria da Universidade de Ottawa e da Universidade de Toronto, no Canadá. De acordo com o médico Gregory Saraiva Medeiros, chefe do Serviço de Terapia Intensiva Adulto do Hospital Moinhos de Vento, a reflexão reforça conhecimentos já consolidados na literatura científica sobre a importância do movimento para o funcionamento do cérebro, abrangendo áreas como cognição, humor, sono e neuroplasticidade.
Um dos principais mecanismos apontados pelo estudo é o chamado eixo músculo-cérebro. Durante a contração muscular, especialmente em treinos de força e exercícios físicos, o corpo libera substâncias na corrente sanguínea, como o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Essa molécula atua estimulando a neuroplasticidade, a memória e a proteção dos neurônios, além de interagir com vias metabólicas essenciais para o humor e a cognição.
Na área da saúde mental, evidências robustas indicam que intervenções baseadas em exercícios podem reduzir de forma significativa sintomas de depressão, ansiedade e sofrimento psicológico. Metanálises recentes mostram que modalidades como caminhada, corrida, ioga e treinamento de força ajudam no controle desses quadros. Além disso, os autores destacam que mesmo volumes inferiores às metas tradicionais de saúde pública, como cerca de 75 minutos semanais de atividade moderada, já trazem benefícios mensuráveis para pacientes.
No que tange ao envelhecimento cognitivo e a condições degenerativas como a doença de Alzheimer, a prática regular de atividades tem sido associada a um menor risco de comprometimento da memória. No entanto, especialistas ponderam que, embora os dados sejam animadores e a Organização Mundial da Saúde inclua o exercício nas recomendações de prevenção à demência, ainda não há comprovação de que a atividade física isolada consiga prevenir totalmente essas enfermidades.
Para que a intervenção seja eficaz, os especialistas sugerem que a prescrição médica contenha o tipo de atividade, a frequência, a intensidade, a duração, avaliações de segurança e planos de acompanhamento regular. A abordagem deve ser individualizada e considerar o condicionamento inicial, comorbidades e barreiras enfrentadas pelo paciente, como isolamento social, dor crônica ou dificuldades financeiras, evitando ampliar desigualdades no acesso à saúde.
A necessidade de integrar a prática de exercícios aos sistemas de saúde e combiná-la com abordagens tradicionais é vista como fundamental. Embora a atividade física não substitua medicamentos, ela atua como uma poderosa aliada no tratamento de diversas condições crônicas e na melhoria da qualidade de vida global da população.
Fontes consultadas
- Por que o exercício físico deveria ser prescrito em receita médica, segundo especialistas veja.abril.com.br
- Amigas centenárias que se conheceram na Segunda Guerra revelam segredos para vida longa - Aventuras na História aventurasnahistoria.com.br
- Obesidade ganha inédita pílula de Glp-1 liberada pela Anvisa fatopaulista.com.br