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EUA enviam 600 soldados à América Latina em ofensiva antidrogas

Tropas do Exército americano realizam treinamentos e apoiam operações locais em países como Panamá, Colômbia e Honduras.

Por 3 min de leitura

EUA enviam 600 soldados à América Latina em ofensiva antidrogas
EUA enviam 600 soldados à América Latina em ofensiva antidrogas

Os Estados Unidos iniciaram o envio de um batalhão composto por 600 soldados à América Latina como parte de uma nova fase da ofensiva do governo de Donald Trump contra o narcotráfico. A mobilização, confirmada por fontes do jornal The New York Times, prevê a realização de exercícios militares e o suporte a forças locais em operações direcionadas a suspeitos de envolvimento com o tráfico de entorpecentes em nações como Panamá, Colômbia e Honduras.

O contingente enviado faz parte da 10ª Divisão de Montanha do Exército dos Estados Unidos, baseada em Fort Drum, no estado de Nova York. Os primeiros militares já desembarcaram em uma instalação de treinamento na selva panamenha. Além das atividades de instrução, os soldados poderão dar suporte a equipes de operações especiais americanas que assessoram unidades locais em incursões contra cartéis, além de reforçar a segurança de helicópteros e prestar apoio de emergência.

Essa movimentação militar amplia a campanha de Washington contra organizações criminosas no Hemisfério Ocidental. Recentemente, o Pentágono transferiu drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador. Centenas de militares da mesma divisão também devem contribuir para a estruturação de um novo comando regional com sede em Miami, refletindo a pressão americana para que governos latino-americanos intensifiquem o combate ao crime organizado e autorizem ações conjuntas.

A ofensiva está articulada com o Escudo das Américas, uma coalizão liderada por Trump que reúne os Estados Unidos e 14 países latino-americanos e caribenhos. Em setembro, o grupo anunciou medidas coordenadas contra 24 organizações criminosas, incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), classificadas pelos Estados Unidos como organizações narcoterroristas, embora o Brasil e o México permaneçam fora da coalizão.

A perspectiva de atuações militares diretas dos Estados Unidos em solo latino-americano resgata debates históricos sobre soberania nacional e intervenções estrangeiras na região. Desde o início da campanha militar regional, há cerca de um ano, as forças americanas conduziram 71 ataques contra embarcações suspeitas de narcotráfico, resultando em pelo menos 239 mortes, segundo dados divulgados pelos próprios militares, embora o governo não tenha apresentado publicamente provas materiais das acusações.

A expansão das operações ocorre em um cenário de alta demanda sobre os recursos militares americanos, que também mantêm compromissos na Europa, na Ásia e no conflito contra o Irã. Autoridades locais expressaram preocupações internas a respeito da clareza dos objetivos da ofensiva e dos riscos de escalada caso ocorram baixas entre os soldados americanos desdobrados na América Latina.

Fontes consultadas

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