Ex-ministros alertam para riscos ao SUS em eventual governo Flávio Bolsonaro
Manifesto assinado por sete ex-titulares da pasta e pelo atual ministro Alexandre Padilha relembra a gestão da pandemia de Covid-19 e critica o histórico do governo Jair Bolsonaro.
Sete ex-ministros da Saúde de administrações anteriores e o atual chefe da pasta, Alexandre Padilha, divulgaram um manifesto na última terça-feira (20) para alertar sobre os riscos que o Sistema Único de Saúde pode enfrentar em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial do segundo turno.
O documento pede que os eleitores avaliem o histórico da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro na área da saúde antes de tomarem suas decisões nas urnas. Os signatários criticam severamente a condução do enfrentamento à pandemia de Covid-19, argumentando que o conhecimento científico foi colocado em segundo plano em prol de uma obediência cega.
No texto, o grupo aponta episódios críticos ocorridos durante a crise sanitária, como a escassez de oxigênio em hospitais e a recusa de vacinas. A carta menciona que o Brasil registrou mais de 700 mil mortes decorrentes da doença e recorda episódios em que medidas preventivas foram atacadas e declarações polêmicas foram proferidas por autoridades federais da época.
Assinam a manifestação os ex-ministros Nísia Trindade, Gilberto Occhi, Marcelo Castro, Arthur Chioro, José Agenor, Saraiva Felipe e Humberto Costa, além do atual ministro Alexandre Padilha. O manifesto enfatiza que a preservação do SUS custou muito esforço coletivo de profissionais de saúde e servidores, alertando que retrocessos na área podem ocorrer rapidamente.
Em resposta às críticas sobre a saúde e ao passado político associado à pandemia, Flávio Bolsonaro já anunciou que o médico oftalmologista Cláudio Lottenberg comandará o Ministério da Saúde em seu eventual governo. Lottenberg presidiu o Hospital Israelita Albert Einstein e criticou publicamente a falta de coordenação federal durante a crise sanitária em 2021.
Questionado sobre as críticas e as posições de seu futuro ministro, o candidato do PL preferiu minimizar os apontamentos e declarou que evita discutir o passado. Enquanto isso, o debate sobre a saúde pública e a memória da gestão pandêmica continuam a polarizar as propostas econômicas e sociais apresentadas pelos concorrentes ao Palácio do Planalto.
Fontes consultadas
- Lemos as 160 páginas dos planos de Flávio Bolsonaro e Lula: o que cada um propõe para juros, impostos e SUS jornalrazao.com
- Bolsa Família e maioridade penal: as novas posições de Flávio e Lula | G1 g1.globo.com
- Ex-ministros da Saúde citam Covid-19 e alertam para riscos de eventual governo Flávio cartacapital.com.br
- Flávio promete volta de benefício criado na pandemia jc.uol.com.br
- Ex-ministros citam pandemia em manifesto sobre SUS e Flávio Bolsonaro diariodocentrodomundo.com.br