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Clima

Fenômeno El Niño provoca alertas de emergência e atrai cientistas

Governos de diversas regiões adotam medidas preventivas e pesquisadores aproveitam o aquecimento oceânico para estudos climáticos e ecológicos.

Por 3 min de leitura

Fenômeno El Niño provoca alertas de emergência e atrai cientistas
Fenômeno El Niño provoca alertas de emergência e atrai cientistas

O fenômeno climático El Niño está em plena atividade e alcançando intensidade considerada forte a muito forte, provocando uma série de impactos que vão desde oscilações nos mercados globais até a declaração de estados de emergência em vários países das Américas. Governos e autoridades locais têm ativado alertas de nível máximo para mitigar riscos associados a secas severas, inundações, chuvas intensas e escassez de água previstas para o período entre o final de 2026 e o ano de 2027.

Na América do Sul, a Bolívia declarou estado de emergência nacional no final de outubro devido à estiagem prolongada que afeta o Altiplano, os vales e a região do Chaco, além de enfrentar riscos de geadas, granizo e incêndios florestais. Outros países como Panamá, Colômbia, Peru, Equador e El Salvador também implementaram medidas extraordinárias, decretando situações de desastre ou alertas vermelhos diante de cenários de déficits de chuvas e ameaças ao abastecimento de água potável e à geração de energia hidrelétrica.

No Brasil, o estado do Amazonas estabeleceu um decreto de emergência climática e ambiental preventiva devido às projeções meteorológicas ligadas ao fenômeno. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o estado da Califórnia adotou medidas preventivas e de mobilização de infraestrutura contra enchentes e deslizamentos, com o Corpo de Bombeiros do Condado de Los Angeles organizando a distribuição gratuita de sacos de areia para proteger propriedades.

Na economia global, os efeitos do El Niño dividem setores. Analistas apontam que, embora o clima favorável tenha impulsionado safras quase recordes de milho e soja nos Estados Unidos, o aquecimento global das águas do Pacífico afeta negativamente commodities agrícolas essenciais como café e cacau, elevando os preços para o consumidor final. O mercado de seguros e os preços de gás natural também sentem os reflexos das previsões de invernos mais quentes ou chuvosos em diferentes localidades.

Enquanto comunidades se preparam para os eventos climáticos extremos, a comunidade científica observa o super El Niño como uma oportunidade única para pesquisas. Especialistas em biogeoquímica marinha e ecologia indicam que o aquecimento sem precedentes na superfície do mar na região do Pacífico equatorial atua como um experimento natural de grande escala. O evento permite testar hipóteses sobre o impacto do estresse térmico em recifes de corais e ecossistemas marinhos, auxiliando na compreensão das mudanças climáticas.

No entanto, pesquisadores alertam que cortes e congelamentos de verbas federais para agências de pesquisa nos Estados Unidos, como a Fundação Nacional de Ciência e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, ameaçam o financiamento de programas cruciais de observação oceanográfica. Sem recursos adequados, dados essenciais coletados por redes de boias autônomas e missões espaciais da NASA podem ser perdidos, limitando a capacidade global de compreender e prever os reflexos de eventos climáticos extremos no futuro.

Fontes consultadas

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