Flávio e Lula disputam o segundo turno da eleição presidencial
Após votação acirrada no primeiro turno, candidatos iniciam nova fase da campanha com apoios políticos e pesquisas no horizonte.
A disputa pela Presidência da República no Brasil chegou ao segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No primeiro turno realizado no domingo, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, equivalente a 56,1 milhões de eleitores, enquanto Lula registrou 45,16%, somando 53,8 milhões de votos. A diferença entre os dois principais concorrentes foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos, configurando o resultado mais apertado em um primeiro turno desde a redemocratização em 1989.
O segundo turno da eleição presidencial teve início oficial nesta segunda-feira (5/10) e seguirá até a véspera da nova votação, marcada para o dia 25 de outubro. Com a definição dos dois nomes ao Palácio do Planalto, a corrida eleitoral agora se volta para a conquista dos cerca de 9,3 milhões de eleitores que votaram em outros candidatos na primeira etapa do pleito.
Nesta segunda-feira, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que terminou o primeiro turno em sexto lugar com 0,27% dos votos, anunciou publicamente seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, Zema afirmou que votará contra o PT e destacou a necessidade de derrotar o atual governo, mencionando também a bancada de direita eleita para o Congresso Nacional.
Outro importante apoio político a Flávio Bolsonaro foi articulado pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado no primeiro turno com 2,18% dos votos. Caiado marcou um evento em Goiânia para a terça-feira (6/10) ao lado de Flávio e do governador eleito Daniel Vilela (MDB) para oficializar sua adesão à campanha do candidato do PL.
Por outro lado, alguns candidatos da chamada terceira via adotaram postura de neutralidade para o segundo turno. Augusto Cury (Avante), terceiro colocado na disputa, declarou que não apoiará nenhum dos candidatos, mas colocou suas propostas à disposição de ambos os concorrentes caso queiram aproveitá-las. Quarto colocado, Renan Santos (Missão) também optou por não recomendar nenhum nome, liberando os membros de seu partido.
Especialistas em ciência política apontam que a migração de votos da terceira via tende a beneficiar a oposição a Lula. Dados de pesquisas divulgadas antes do primeiro turno, como a da Quaest, indicavam que parcelas significativas dos eleitores de Cury, Renan e Caiado migrariam para Flávio Bolsonaro, embora uma quantidade expressiva também pudesse optar por votos brancos, nulos ou abstenções.
Enquanto a movimentação política ocorre nos bastidores, o instituto Datafolha anunciou para a próxima quinta-feira (8/10) a divulgação de sua primeira pesquisa de intenção de voto voltada exclusivamente para o segundo turno. O levantamento contará com 2.520 entrevistas realizadas entre terça e quinta-feira, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, avaliando cenários de rejeição, espontânea e estimulada.
A nova etapa da campanha também será marcada pelos debates televisivos em formato de confronto direto entre os dois candidatos, que não participaram de debates no primeiro turno. O primeiro encontro está agendado para o dia 11 de outubro, promovido por um pool de veículos liderado pelo Grupo Bandeirantes, seguido por debates na TV Record em 18 de outubro e na Rede Globo no dia 23 de outubro.
Fontes consultadas
- 2° turno: Zema anuncia apoio a Flávio Bolsonaro correiobraziliense.com.br
- Caiado e Zema anunciam apoio a Flávio na disputa com Lula no 2º turno da eleição infomoney.com.br
- A 1ª pesquisa Datafolha sobre Lula x Flávio Bolsonaro no 2º turno cartacapital.com.br
- Nova pesquisa Datafolha para presidente no segundo turno testa se eleitor muda voto entre Lula e Flávio valor.globo.com
- Lula x Flávio no 2º turno: para onde vão os votos de Cury, Renan e Caiado? terra.com.br