Gari chora ao denunciar que ônibus não param por causa de seu uniforme
Trabalhadora relata ter sido rejeitada por motoristas em Aparecida de Goiânia e Prefeitura afasta o profissional envolvido.
A gari Valdetina Santos, de 45 anos, gravou um vídeo emocionada para denunciar que motoristas de ônibus estariam se recusando a parar no ponto para levá-la para casa, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital goiana. Atuando na área de coleta seletiva há quase dois anos, a profissional relatou que a situação ocorre há mais de cinco dias e que ela tem chegado tarde em casa por não conseguir embarcar.
Nas imagens que circularam pelas redes sociais, gravadas por sua sobrinha, a trabalhadora desabafa sobre a rejeição que vem sofrendo devido à vestimenta de sua profissão. "Só porque eu tô com esse uniforme, eu sou uma trabalhadora igual todo mundo e eu preciso descansar para poder ir trabalhar", afirmou a gari, acrescentando que os condutores inventam desculpas sobre problemas mecânicos nos veículos para não abrir as portas.
O caso gerou repercussão e levou a Prefeitura de Aparecida de Goiânia a se manifestar por meio de nota oficial. A administração municipal informou que, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e do Consórcio Aparecida Limpa, prestou assistência à colaboradora e repudiou veementemente qualquer forma de discriminação.
Como desdobramento imediato, a Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC) acionou a empresa responsável pela linha e o motorista citado foi afastado preventivamente de suas funções enquanto as investigações sobre o ocorrido são conduzidas. A CMTC garantiu que todas as providências necessárias estão sendo tomadas para esclarecer os fatos.
Procurada, a empresa HP Mobilidade declarou que tomou conhecimento do episódio exclusivamente por meio das publicações em redes sociais, ressaltando que não há registros prévios da ocorrência em seus canais oficiais de atendimento. A companhia destacou ainda que a postagem inicial não continha dados essenciais como linha, data, horário ou identificação do veículo.
Apesar da ausência de detalhes operacionais nos registros virtuais, a empresa reafirmou que não tolera práticas discriminatórias e mantém treinamentos focados em um atendimento humanizado e igualitário. A instituição colocou-se à disposição para receber informações complementares da passageira.
Acompanhada por um advogado, Valdetina Santos afirmou estar esgotada com a situação e declarou que pretende buscar reparação na Justiça. A trabalhadora destacou que, antes de vir a público, tentou relevar o comportamento dos motoristas em outras ocasiões, mas decidiu agir diante da recorrência do problema.