GDA Luma deve assumir comando da SAF do Botafogo após recuperação judicial
Diretoria avalia que a mudança na gestão pode impactar negativamente as conversas com credores sobre o deságio das dívidas.
A transferência oficial do controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo para o fundo GDA Luma deve ocorrer somente após o avanço das negociações da recuperação judicial do clube. A avaliação interna da diretoria alvinegra aponta que uma alteração precoce no comando corporativo pode dificultar o diálogo com os credores em relação ao deságio das dívidas, que consiste na possibilidade de quitar os valores devidos com descontos.
As tratativas para a aprovação do plano de recuperação judicial exigem o aval de pelo menos metade mais um dos credores. No momento, o Botafogo conseguiu obter a adesão de uma parcela estimada entre 35% e 40%. O principal obstáculo enfrentado pela gestão reside nas negociações com outros clubes de futebol, que concentram algumas das maiores faturas do passivo.
Nos bastidores, o processo societário caminha para consolidar o controle do clube associativo sobre a SAF antes da entrada definitiva da nova investidora. O Botafogo social aguarda o encerramento do prazo concedido à Eagle Football Holdings Bidco, que termina em outubro. Com a confirmação de que a holding não adquiriu integralmente as novas ações oferecidas, o associativo poderá comprar o restante e deter praticamente a totalidade das ações da SAF, viabilizando a futura transferência de 90% de participação para a GDA Luma.
Enquanto a transição definitiva não é concretizada, o fundo liderado por Gabriel de Alba segue realizando aportes financeiros. Do total de US$ 105 milhões acordados, US$ 50 milhões já foram repassados ao clube. A expectativa da diretoria é que novos recursos, no valor de US$ 7 milhões, sejam depositados entre o final de outubro e o início de novembro.
O cenário financeiro do Botafogo envolve desafios expressivos, com um passivo total estimado em R$ 3,5 bilhões. Recentemente, o clube associativo sofreu um impacto em sua dívida tributária após deixar de integrar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE). Com a saída do programa, o débito fiscal do social saltou de cerca de R$ 280 milhões para aproximadamente R$ 500 milhões.
Por sua vez, a SAF possui uma dívida tributária estimada em R$ 480 milhões, elevando os débitos fiscais combinados a cerca de R$ 1 bilhão. As duas frentes planejam regularizar essas pendências de forma separada junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Além disso, a dívida da SAF dentro da recuperação judicial está calculada em R$ 1,1 bilhão, valor que passará por atualizações nos relatórios oficiais do processo.
Os recursos já repassados pela GDA Luma, no montante de US$ 50 milhões, continuam catalogados temporariamente como empréstimos sob incidência de juros, uma vez que a empresa ainda não assumiu oficialmente a gestão. Essa rubrica financeira será modificada assim que a transferência de comando for concluída, marcando uma nova fase na administração do futebol alvinegro.