Governo da Espanha acusa Milei de promover violência e polarização
Presidente argentino chamou o premiê Pedro Sánchez de ditador e ladrão durante visita a Madri para apoiar partidos da oposição.
O governo da Espanha condenou veementemente nesta quarta-feira (21) as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, feitas durante uma visita oficial a Madri. O Ministério das Relações Exteriores espanhol acusou o líder sul-americano de tentar fomentar um clima de polarização e violência entre os cidadãos do país europeu, classificando sua postura como indigna para o chefe de Estado de uma nação irmã.
Durante um fórum econômico na capital espanhola, a pouco mais de um mês das eleições gerais antecipadas marcadas para 29 de novembro, Milei desferiu duras críticas contra o primeiro-ministro Pedro Sánchez. O mandatário argentino classificou o premiê espanhol como ditador, ladrão e corrupto, além de incentivar os eleitores a expulsarem os socialistas do poder nas urnas.
O discurso do presidente argentino ocorreu em meio a um cenário político sensível na Espanha. Cerca de 39 milhões de eleitores foram convocados a participar do pleito, antecipado após o governo não conseguir aprovar no Congresso um pacote de medidas emergenciais voltadas para a habitação. Pesquisas de intenção de voto apontam o conservador Partido Popular na liderança, com possibilidade de o partido de extrema direita Vox ocupar um papel decisivo para a governabilidade.
Além dos ataques diretos a Sánchez, Milei direcionou críticas aos partidos de esquerda de toda a Europa, culpando-os pela estagnação econômica do continente. O líder ultraliberal também abordou a questão migratória, acusando o governo espanhol de estimular uma invasão de imigrantes por motivações eleitorais e citando episódios recentes ocorridos no enclave de Ceuta.
A resposta oficial de Madri não tardou. A chancelaria espanhola emitiu um comunicado manifestando a mais enérgica condenação aos insultos e calúnias proferidos pelo presidente argentino, ressaltando que o país rejeita categoricamente qualquer tipo de ingerência externa ou ataques direcionados ao seu líder de governo.
A agenda de Milei em solo espanhol incluiu ainda reuniões com representantes do partido Vox e com Isabel Díaz Ayuso, presidente conservadora da Comunidade de Madri e figura influente no Partido Popular. O episódio reacerta as tensões diplomáticas entre Buenos Aires e Madri, que já haviam enfrentado crises anteriores decorrentes de trocas de declarações entre os dois governos.
Fontes consultadas
- Milei chama Pedro Sánchez de "ditador" e entra na campanha eleitoral da Espanha exame.com
- Milei vai a Madri, se intromete na eleição espanhola e xinga Pedro Sánchez cartacapital.com.br
- Espanha condena "interferência externa" de Milei; presidente argentino chamou Sánchez de "ditador, ladrão e corrupto" em visita a Madri gazetadevarginha.com.br
- Milei chama Sánchez de ditador e é acusado de ingerência por Madri a 6 semanas da eleição espanhola terra.com.br
- Na Espanha, Milei se envolve na campanha eleitoral e chama Sánchez de 'ditador'; Madri rejeita 'interferências externas' oglobo.globo.com