Governo da Argentina diz que não comentará vitória de Lula
Porta-voz do presidente Javier Milei afirmou na Casa Rosada que não haverá manifestação oficial sobre o resultado das eleições no Brasil.
O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, informou por meio de um porta-voz nesta terça-feira (27) que não pretende emitir nenhum comunicado oficial nem parabenizar o presidente Luiz Inácio Lula Silva pela vitória nas eleições brasileiras. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva na Casa Rosada.
Segundo o porta-voz Adrian Ravier, o governo tomou ciência do resultado eleitoral, mas decidiu adotar a postura de silêncio em reciprocidade ao que classificou como falta de gestos em 2023. O representante do governo argentino alegou que, quando Milei foi eleito presidente, não houve cumprimentos pessoais por parte do líder brasileiro.
A afirmação do porta-voz argentino sobre o pleito de 2023, contudo, diverge dos registros da época. Documentos e declarações oficiais mostram que o petista foi um dos primeiros líderes da América Latina a reconhecer a vitória de Milei, parabenizando o povo argentino e desejando êxito ao novo governo, embora não tenha mencionado o nome do presidente eleito diretamente.
Questionado sobre o impacto econômico e diplomático da decisão, Ravier garantiu que as relações comerciais entre os dois países continuam normalmente. O porta-voz ressaltou que cidadãos e empresas de ambas as nações poderão seguir comercializando sem interferências e afirmou que o presidente argentino não deseja ser hipócrita diante de divergências ideológicas reais.
As tensões entre os dois mandatários acumulam episódios de atrito desde a campanha presidencial argentina de 2023, quando Milei chamou o brasileiro de comunista e corrupto. As relações bilaterais deterioraram-se ainda mais recentemente, após o líder argentino participar de eventos de campanha no Brasil e proferir ofensas públicas contra autoridades brasileiras.
Como desdobramento da crise política anterior, o governo brasileiro havia convocado o embaixador do Brasil em Buenos Aires e dispensado o representante argentino em Brasília, configurando um rebaixamento inédito nas relações diplomáticas entre os vizinhos sul-americanos.