Governo da Groenlândia contesta declarações de Trump sobre exploração
Autoridade local afirmou que projetos na região ártica estão distantes da dimensão descrita pelo presidente dos Estados Unidos.
O governo da Groenlândia contestou nesta quarta-feira (14) a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que uma exploração em larga escala de petróleo, gás e minerais estaria prestes a começar no território ártico. A manifestação ocorreu após o líder norte-americano publicar na rede social Truth Social que a quantidade de recursos naturais de fácil acesso na ilha supera a de quase qualquer outro território global.
Em entrevista à rede CNN, o vice-ministro de Mineração da Groenlândia, Jørgen Hammeken-Holm, reconheceu a presença de atividades conduzidas por companhias dos Estados Unidos no território autônomo, mas ponderou que os projetos atuais estão longe da magnitude mencionada por Washington. Segundo o representante local, embora existam iniciativas menores em andamento, elas ainda exigem anos de desenvolvimento até alcançarem a fase operacional.
Especialistas apontam que a extração de riquezas naturais na ilha enfrenta barreiras logísticas e custos elevados. Cerca de 80% do território groenlandês é coberto por uma camada de gelo polar com aproximadamente 1,6 quilômetro de espessura, e muitas das jazidas encontram-se em áreas remotas situadas acima do Círculo Polar Ártico, onde a infraestrutura é escassa.
Desde o seu retorno à Casa Branca, Donald Trump tem feito sucessivas ameaças de assumir o controle do território, que é ligado à Dinamarca, com o objetivo de assegurar o acesso aos recursos da região. A postura tem gerado atritos diplomáticos com nações aliadas europeias e com integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Mesmo diante das tensões, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia firmaram um acordo no mês passado para tentar apaziguar o cenário geopolítico. Enquanto Trump afirmou publicamente que o pacto concedia aos americanos controle permanente sobre a segurança local, o texto oficial do documento prioriza o reconhecimento da soberania dinamarquesa e da autodeterminação dos groenlandeses.
O tratado estabelece ajustes pontuais em um pacto de 1951 que permite a presença militar dos Estados Unidos na ilha no âmbito da Otan, abrindo espaço para novas bases e para o acesso militar caso a Groenlândia venha a declarar independência da Dinamarca no futuro. Contudo, o documento não traz menções explícitas à exploração comercial de petróleo ou gás natural.
Na mesma postagem em que defendeu o início da extração de recursos, Trump reiterou que o interesse estratégico na ilha está diretamente ligado à segurança nacional americana. De acordo com o presidente, a localização geográfica da Groenlândia é essencial para interceptar eventuais ataques balísticos ou tecnológicos contra o território dos Estados Unidos.
Fontes consultadas
- Groenlândia contradiz Trump e nega exploração em larga escala de petróleo | CNN Brasil cnnbrasil.com.br
- Pix MEI e perdão de dívidas: o que se sabe sobre as medidas lançadas pelo governo Lula a 12 dias das eleições oglobo.globo.com
- Barça goleia Galatasaray (4-1) na Champions com grande atuação de Yamal | GZH gauchazh.clicrbs.com.br
- Qatar Airways financia três Boeing 787-9 no Japão uol.com.br