Governo dos EUA aprova o Boeing 737 Max 10 após anos de atrasos
Aeronave de corredor único com capacidade para até 230 passageiros recebeu certificação oficial e tem entregas previstas para 2027.
O governo dos Estados Unidos aprovou formalmente o avião Boeing 737 Max 10 para o serviço de passageiros, encerrando um longo período de atrasos marcados por exigências de segurança e revisões regulatórias. O anúncio oficial da certificação foi feito nesta terça-feira pelo secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, durante uma visita à fábrica da Boeing localizada em Everett, no estado de Washington, segundo informações repassadas por um funcionário do Departamento de Transportes sob condição de anonimato.
Introduzido inicialmente no Salão Aeronáutico de Paris em 2017, o modelo 737 Max 10 foi desenvolvido com o objetivo de competir diretamente com a família de aeronaves A321neo da rival Airbus. Com capacidade para transportar até 230 passageiros, o novo jato representa a maior versão da linha mais vendida da Boeing. No entanto, o processo de homologação enfrentou diversos obstáculos devido a preocupações técnicas e de segurança que se intensificaram após crises globais na fabricação da companhia.
A trajetória recente da fabricante norte-americana foi severamente impactada por dois acidentes fatais envolvendo o modelo menor Max 8 na Indonésia e na Etiópia, que resultaram em 346 mortes nos anos de 2018 e 2019. Posteriormente, em 2024, um incidente envolvendo o desprendimento de um painel em pleno voo de uma aeronave Max 9 operada pela Alaska Airlines recolocou as práticas industriais da empresa sob intenso escrutínio público e governamental.
Como desdobramento desses episódios, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) reformulou rigorosamente os procedimentos de certificação de aeronaves da Boeing. Contudo, ao longo dos últimos dezoito meses, a agência reguladora passou a flexibilizar gradualmente algumas das restrições impostas, elevando os limites de produção e permitindo novamente que a empresa assumisse responsabilidades diretas na certificação de parte de sua frota comercial.
Apesar da concorrência acirrada com o modelo da Airbus, que detém vantagens de autonomia de voo em rotas longas sem reabastecimento, a Boeing projetou o 737 Max 10 para oferecer maior eficiência no consumo de combustível em comparação com aeronaves mais antigas. A característica atrai o interesse de companhias aéreas que buscam controlar custos operacionais em um cenário de alta nos preços dos combustíveis de aviação, impulsionados pelo conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
Grandes empresas aéreas figuram na lista de principais clientes do novo jato, incluindo United Airlines, Delta Air Lines, American Airlines, Ryanair e a Alaska Airlines, que recentemente encomendou mais de cem unidades do modelo. O CEO da Boeing, Kelly Ortberg, destacou que o Max 10 compõe aproximadamente trinta por cento da carteira de pedidos pendentes da empresa, que totaliza cerca de quatro mil e quinhentas aeronaves.
A utilização das instalações fabris em Everett conferirá à empresa maior flexibilidade logística na linha de montagem, viabilizando a produção simultânea de aeronaves de maior comprimento. Com a conclusão da certificação do Max 10, a Boeing finaliza a sua linha de quatro modelos da família Max, marcando um avanço significativo em seus esforços para recuperar a estabilidade financeira e a credibilidade institucional após anos de desafios operacionais.
Fontes consultadas
- Kenya confirms new Ebola case, bringing total infections to 9, health ministry says clickondetroit.com
- Iran touts closest ever ties with Russia, contradicting Trump yahoo.com
- Lady Vols basketball unranked in AP, coaches poll to start 2026-27 season sports.yahoo.com
- US to approve Boeing 737 Max 10 for passenger service after years of delays, AP source says bostonherald.com