Governo dos EUA classifica Alexandre Ramagem como imigrante ilegal
Departamento de Segurança Interna confirmou que o ex-diretor da Abin responde a processo de deportação no país norte-americano.
O governo dos Estados Unidos classificou o ex-deputado federal Alexandre Ramagem como imigrante ilegal e confirmou que o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência responde a um processo de deportação em território americano. A informação foi divulgada pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, responsável pela polícia de imigração do país.
Segundo as autoridades americanas, Ramagem ingressou legalmente nos Estados Unidos em setembro do ano passado com uma autorização temporária de permanência de seis meses. O prazo expirou em março deste ano, mas o ex-parlamentar permaneceu no país sem regularizar sua situação migratória, o que configurou violação das leis locais.
O ex-diretor da Abin, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por participação em uma tentativa de golpe de Estado, deixou o Brasil clandestinamente pela fronteira com a Guiana e viajou para os Estados Unidos. Durante os primeiros meses no exterior, ele contou com a ajuda da família de um condenado por garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami para obter hospedagem e documentos.
Após ser localizado pelas autoridades, Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos em abril, mas acabou liberado apenas dois dias depois, enquanto aguarda o andamento do processo de deportação. Aliados políticos comemoraram a soltura na época e atribuíram a liberação a uma suposta proteção do governo de Donald Trump.
No entanto, o posicionamento oficial enviado pelo Departamento de Segurança Interna desmente a tese de proteção política e esclarece que a apresentação de um pedido de asilo político não confere automaticamente situação regular a um estrangeiro. O departamento ressaltou que a pendência de um pedido de asilo não impede novas detenções ou a deportação.
A confirmação do processo migratório ocorre de forma paralela ao pedido formal de extradição apresentado pelo governo brasileiro em dezembro do ano passado, por meio do qual o Brasil busca o retorno do ex-deputado para o cumprimento de sua pena de mais de 16 anos de prisão imposta pela Justiça brasileira.