EUA consideram Alexandre Ramagem irregular e avaliam deportação
O Departamento de Segurança Interna norte-americano afirmou que o ex-deputado federal está no país em situação irregular e pode ser deportado.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos considera o ex-deputado federal Alexandre Ramagem um imigrante em situação irregular, afirmando que ele pode ser detido ou deportado pelas autoridades norte-americanas. A posição do órgão foi divulgada em resposta a questionamentos jornalísticos e detalha que o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência entrou legalmente no país em setembro de 2025 com autorização temporária de seis meses, mas permaneceu em território norte-americano após o vencimento do prazo.
Em comunicado oficial, um porta-voz do departamento informou que Ramagem chegou a ser preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas em Orlando, na Flórida, no dia 13 de abril, mas acabou sendo liberado dois dias depois, sem pagamento de fiança, enquanto aguarda o desdobramento do processo de deportação. As autoridades norte-americanas esclareceram que um pedido de asilo político que ainda esteja pendente não garante a regularização migratória nem impede de forma automática uma eventual expulsão do país.
A situação jurídica de Ramagem nos Estados Unidos decorre da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, que o sentenciou a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Após a decisão da corte brasileira em setembro do ano passado, ele deixou o Brasil e seguiu para o exterior.
A soltura do ex-parlamentar logo após a detenção em abril gerou divergências entre setores do governo dos Estados Unidos. Enquanto o Departamento de Estado criticou a atuação da Polícia Federal do Brasil na localização do alvo, o Departamento de Segurança Interna sustentou enfaticamente que as regras migratórias do país foram violadas pelo brasileiro.
O caso também provocou repercussão diplomática entre os dois países. Em decorrência dos desdobramentos, o governo norte-americano suspendeu o credenciamento de um policial federal brasileiro que atuava como oficial de ligação em Miami e havia participado da localização de Ramagem. Em resposta imediata, o governo do Brasil suspendeu a autorização de permanência de um agente de imigração dos Estados Unidos que trabalhava em Brasília.
Paralelamente, o Ministério da Justiça informou que o governo brasileiro formalizou um pedido de extradição do ex-diretor da Abin em dezembro de 2025, meses antes da prisão efetuada pelo controle de aduanas norte-americano. Apesar de ter sido liberado temporariamente, Ramagem continua sujeito aos procedimentos migratórios vigentes nos Estados Unidos, e o desfecho final do caso dependerá exclusivamente da tramitação legal nas instâncias competentes do país.