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Haiti adia eleições indefinidamente em meio à crise de segurança

País mais pobre das Américas está sem realizar pleitos nacionais há uma década e enfrenta grave onda de violência liderada por gangues.

Por 3 min de leitura

Haiti adia eleições indefinidamente em meio à crise de segurança
Haiti adia eleições indefinidamente em meio à crise de segurança

O Haiti adiou por tempo indeterminado as eleições presidenciais e legislativas que estavam programadas para ocorrer em dezembro. O anúncio foi feito pelo Conselho Eleitoral Provisório na terça-feira, aprofundando o cenário de incerteza política que afeta a nação caribenha, que já completou dez anos sem realizar pleitos nacionais.

O país mais pobre das Américas enfrenta uma grave crise institucional desde o assassinato de seu último presidente eleito, Jovenel Moïse, em 2021. Na sequência do crime, Ariel Henry assumiu o comando do governo, mas renunciou em 2024 devido à deterioração das condições de segurança. Desde então, a administração é conduzida por autoridades de transição sob a liderança de um Conselho Presidencial e do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé.

Em comunicado oficial, o Conselho Eleitoral Provisório informou que um novo cronograma será divulgado assim que possível. O órgão justificou a decisão citando exigências técnicas, operacionais e a necessidade de garantir condições adequadas para todas as etapas do processo de votação.

Especialistas apontam que a suspensão do pleito já era esperada diante da falta de infraestrutura e estabilidade. Eduardo Gamarra, professor de ciência política da Universidade Internacional da Flórida, afirmou que o Haiti carece totalmente das condições necessárias para organizar uma eleição. Na mesma linha, o analista Diego da Rin, do International Crisis Group, destacou que o calendário divulgado em julho era excessivamente ambicioso.

A segurança pública continua sendo o principal entrave para a retomada democrática. Relatórios indicam que alianças de gangues dominam amplas regiões da capital e do interior, controlando portos, estradas e atividades econômicas por meio de cobranças ilegais. Somente neste ano, dados das Nações Unidas apontam que pelo menos 5,7 mil pessoas foram mortas ou feridas em ações criminosas ou operações policiais, enquanto quase 1,5 milhão de cidadãos foram deslocados.

Para tentar conter o avanço da criminalidade, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o envio de uma Força de Supressão de Gangues ao território haitiano. Contudo, a missão opera atualmente com menos de um terço do efetivo projetado de 5,5 mil agentes, limitando a capacidade de atuação do Estado.

Além da violência armada, o processo eleitoral enfrenta barreiras operacionais expressivas. Em julho, o cadastramento de eleitores precisou ser iniciado em nove dos dez departamentos do país, excluindo o Departamento do Oeste, onde está localizada a capital Porto Príncipe, justamente devido aos riscos de segurança.

Analistas avaliam que o impasse atual pode se estender por tempo indeterminado, transformando-se em uma transição sem fim. Para especialistas, qualquer tentativa de estabelecer um novo calendário eleitoral precisará estar vinculada a um plano de segurança realista, considerando que a população local encontra-se prioritariamente focada em questões básicas de sobrevivência.

Fontes consultadas

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