Pular para o conteúdo
Política

Histórico de votação na Câmara sobre Talvane Albuquerque volta ao debate

Episódio de 1999 em que Jair Bolsonaro se posicionou contra a cassação do ex-deputado condenado por chacina repercute nas redes sociais.

Por 3 min de leitura

Histórico de votação na Câmara sobre Talvane Albuquerque volta ao debate
Histórico de votação na Câmara sobre Talvane Albuquerque volta ao debate

Um episódio político ocorrido em abril de 1999 voltou a ganhar repercussão pública após ser resgatado por apoiadores do governo e figuras políticas. Trata-se da manifestação contrária do então deputado federal Jair Bolsonaro à cassação do mandato de Talvane Albuquerque, que anos mais tarde seria condenado pela morte da deputada Ceci Cunha e de outros três familiares em Alagoas.

A movimentação em torno do tema foi impulsionada por mensagens disparadas em canais de comunicação política, que trouxeram novamente à tona os registros da sessão legislativa da Câmara dos Deputados realizada em 7 de abril de 1999. Na ocasião, o parlamento avaliava a perda de mandato de Albuquerque por quebra de decoro parlamentar.

O caso que motivou a investigação contra o parlamentar remonta à chamada Chacina da Gruta, registrada em 16 de dezembro de 1998, em Maceió. A deputada federal Ceci Cunha, eleita pelo PSDB de Alagoas, foi assassinada a tiros ao lado do marido, Juvenal Cunha, e de dois parentes, Iran Carlos Maranhão e Ítala Maranhão. O crime aconteceu poucas horas após a diplomação da parlamentar.

Como Talvane Albuquerque figurava como primeiro suplente da coligação, ele assumiu a vaga deixada na Câmara após a morte da titular. As investigações posteriores conduzidas pelo Ministério Público e pela Justiça apontaram que ele havia atuado como mandante da execução para garantir o controle da cadeira legislativa.

Durante a análise da perda de mandato na Câmara, em 1999, o processo fundamentou-se em contatos mantidos por Albuquerque com suspeitos de envolvimento no crime. Na tribuna da Casa, Jair Bolsonaro manifestou-se contrariamente à cassação do colega de parlamento.

Em seu discurso na época, o então deputado argumentou que a medida poderia representar uma injustiça caso o parlamentar viesse a ser inocentado posteriormente. “Amanhã qualquer um de nós pode estar no lugar dele”, declarou o parlamentar na tribuna, questionando também se outros deputados nunca haviam mantido relações com pessoas sob suspeita.

Apesar da posição adotada por Bolsonaro e por um pequeno grupo de parlamentares, a Câmara dos Deputados aprovou a cassação de Talvane Albuquerque por ampla maioria, totalizando 427 votos favoráveis. A condenação criminal definitiva de Albuquerque na Justiça Federal ocorreu anos mais tarde, quando ele recebeu pena superior a cem anos de reclusão pelos quatro homicídios.

O resgate do episódio histórico ocorre em meio a articulações políticas recentes no estado de Alagoas, onde figuras ligadas ao entorno da deputada assassinada manifestaram apoios públicos a membros da família do ex-presidente, conectando o passado político do parlamento brasileiro ao cenário eleitoral contemporâneo.

Fontes consultadas

Leia também