IBGE aponta exclusão digital e barreiras para pessoas com deficiência no Brasil
Pesquisa divulgada nesta sexta-feira revela que o acesso domiciliar à internet e a serviços básicos ainda é significativamente menor entre esse grupo.
Menos de 80% das pessoas com deficiência no Brasil possuíam acesso domiciliar à internet em 2022, segundo dados da segunda edição do informativo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (17). O levantamento aponta que a proporção de lares conectados alcançava 78,9% para esse segmento da população, enquanto entre as pessoas sem deficiência o índice chegava a 90,2%.
A publicação do IBGE reúne informações de diversas áreas, incluindo urbanismo, mobilidade, moradia, trabalho e renda, evidenciando como o acesso a políticas públicas e serviços essenciais varia drasticamente pelo país. O Censo Demográfico de 2022 contabilizou 14,407 milhões de pessoas com deficiência no território nacional, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais de idade.
No que tange à infraestrutura digital pública, o cenário municipal também apresenta lacunas expressivas. Embora 94,9% das pessoas com deficiência vivessem em cidades cujas prefeituras mantinham páginas eletrônicas com ao menos uma característica de acessibilidade em 2023, apenas 4,7% residiam em municípios que reuniam todas as funcionalidades necessárias para garantir o acesso completo. Em 2024, quase 1.865 municípios não utilizavam nenhum modelo de acessibilidade digital, abrangendo quase um quarto da população com deficiência.
As disparidades também se estendem às condições gerais de habitação e saneamento básico. O acesso a serviços adequados de saneamento atingia 56,6% das pessoas com deficiência, ante 60,2% entre as demais. Na mobilidade urbana, apenas 12,9% contavam com rampas para cadeirantes no entorno de suas residências, e menos de 35% viviam em cidades com espaços públicos devidamente adaptados.
No mercado de trabalho formal, o estudo do IBGE revela que apenas 29% das pessoas com deficiência de 14 anos ou mais estavam ocupadas em 2022, contrastando com os 55,8% registrados entre quem não possui deficiência. Além disso, a inserção nos cargos de alta liderança e no serviço público permanece reduzida, refletindo barreiras históricas que dificultam a autonomia financeira e a ascensão profissional.
A incidência de pobreza afeta de forma mais intensa os domicílios com pessoas com deficiência em todas as faixas etárias. Entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos com deficiência, a taxa de pobreza alcançava 60,9%. O cenário mais ameno foi observado entre os idosos, amortecido pela presença de aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais como o Benefício de Prestação Continuada.
Fontes consultadas
- Mulheres avançam nos negócios e na tecnologia, mas o acesso ao capital segue desigual vogue.globo.com
- Saiba quais funcionalidades da internet podem facilitar o dia a dia de pessoas idosas gov.br
- Um ano da "lei Felca": o que mudou na internet para crianças e jovens em.com.br
- Comitê propõe freio a algoritmos e responsabilidade de plataformas uol.com.br
- Menos de 35% das pessoas com deficiência vivem em cidades com espaços públicos adaptados, aponta IBGE oglobo.globo.com