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Economia

Inadimplência de empresas atinge recorde histórico de 9,3 milhões

Volume de companhias negativadas cresce em meio à pressão dos juros e custos operacionais elevados no país.

Por 3 min de leitura

Inadimplência de empresas atinge recorde histórico de 9,3 milhões
Inadimplência de empresas atinge recorde histórico de 9,3 milhões

O número de empresas inadimplentes no Brasil alcançou a marca inédita de 9,3 milhões em agosto, conforme levantamento divulgado pela Serasa Experian. O montante representa um avanço de 14,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo cenário de juros restritivos que pressiona o caixa dos negócios.

Em termos de volume financeiro, as dívidas em atraso somaram R$ 244,4 bilhões, distribuídas em 68,2 milhões de operações. Cada companhia com o nome negativado acumulava, em média, 7,4 contas vencidas, resultando em um passivo médio de R$ 26.355,13 por CNPJ e um tíquete médio de R$ 3.583,96 por operação.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, pontua que a expansão da inadimplência empresarial ocorre em um ritmo inferior ao registrado anteriormente, mas permanece em patamares elevados de dois dígitos. A especialista destaca que o crédito continua oneroso, o fluxo de caixa segue pressionado e o ambiente econômico é desfavorável, sobretudo para as corporações de menor porte.

O mapeamento aponta que mais da metade das empresas afetadas, exatos 56%, pertencem ao setor de serviços. Na sequência aparecem o comércio, com 32% da base total, a indústria, com 8%, e o setor primário, que responde por 0,9%, enquanto os demais segmentos somam 3,1%.

No recorte por porte, as micro e pequenas empresas concentram 8,8 milhões de CNPJs negativados. Esse grupo contabiliza 61,4 milhões de dívidas que totalizam R$ 211 bilhões, com média de 7 contas em atraso por empreendimento e passivo médio de R$ 23.902,98.

Apesar das dificuldades financeiras, a demanda das pessoas jurídicas por crédito apresentou alta de 11,2% no acumulado de 12 meses, com destaque para as concessões de capital de giro, que dispararam 113,9%. Para Abdelmalack, essa procura reflete a urgência em financiar o caixa e garantir a continuidade das atividades, e não necessariamente uma redução do endividamento.

Geograficamente, a região Sudeste concentra a maior parte do volume de empresas inadimplentes do país, com forte destaque para São Paulo, que registra 3,2 milhões de CNPJs no vermelho, seguida por Minas Gerais, com 927,4 mil, e Rio de Janeiro, com 879,9 mil. O Paraná e o Rio Grande do Sul vêm na sequência, abrigando 613.012 e 539.319 empresas negativadas, respetivamente.

Quanto à origem das dívidas, 31,7% dos débitos provêm do setor de serviços, enquanto bancos e cartões respondem por 19,7%. Cooperativas detêm 8,5% do passivo empresarial, serviços básicos somam 6,7% e a telefonia representa 6,2%, demonstrando que a grande maioria das obrigações em atraso está concentrada em setores não financeiros.

Fontes consultadas

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