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Brasil

Influenciadora e advogado são presos em operação contra tráfico internacional

Ação conjunta entre polícias do Brasil e da Itália aponta ligação de suspeitos com a organização mafiosa 'Ndrangheta.

Por 3 min de leitura

Influenciadora e advogado são presos em operação contra tráfico internacional
Influenciadora e advogado são presos em operação contra tráfico internacional

A influenciadora digital Paula Simões e o advogado Patrick Cardoso foram detidos preventivamente em setembro durante a Operação Eredità, conduzida pela Polícia Federal (PF) em conjunto com autoridades italianas. O grupo é suspeito de integrar um esquema milionário de tráfico internacional de cocaína com destino à Europa, mantendo conexões diretas com a 'Ndrangheta, uma das principais organizações mafiosas da Itália.

As investigações tiveram início em 2019, quando o marido de Paula, Patrick Assisi, e o sogro dela, Nicola Assisi, foram capturados em Praia Grande, no litoral de São Paulo. De acordo com a PF, após a prisão dos familiares, a influenciadora assumiu funções de liderança e passou a representar os interesses do grupo criminoso, algo incomum dentro das rígidas regras de protagonismo feminino da máfia italiana.

Para ocultar sua identidade nas comunicações, Paula utilizava o apelido de 'Chanel' em um aplicativo de mensagens criptografadas. Entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021, ela teria administrado cerca de 2,2 toneladas de cocaína que permaneceram sob o controle da facção após a prisão dos parentes, coordenando o envio de cargas para o exterior e realizando negociações financeiras.

A apuração policial revelou que o advogado Patrick Cardoso atuava como um elo fundamental entre os líderes presos e os operadores que continuavam em liberdade. Aproveitando-se das prerrogativas da profissão, ele utilizava o contato reservado com os clientes na prisão para transmitir ordens, bilhetes e coordenar cobranças de dívidas do esquema criminoso.

O Porto de Paranaguá, no Paraná, era utilizado como o principal ponto logístico para a exportação da droga. O esquema consistia em ocultar os entorpecentes dentro de contêineres de empresas sem relação com o crime organizado, contando também com a atuação de doleiros para realizar a lavagem do dinheiro movimentado pelas operações ilícitas.

Outro alvo da operação foi Franklin Rodrigues de Oliveira, conhecido como 'BXX', apontado como responsável pela logística de transporte e pela ponte entre a facção italiana e organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. Ele tentou fugir durante a abordagem policial, mas acabou capturado.

A defesa de Paula Simões negou todas as acusações, argumentando que nenhuma substância entorpecente foi apreendida com ela e que as suspeitas de continuidade delitiva são apenas inferências policiais. Os advogados de Patrick Cardoso afirmaram que ele exerceu a advocacia estritamente dentro da legalidade e solicitaram a revogação da prisão preventiva, enquanto a defesa de Franklin declarou que provará a inocência do cliente perante a Justiça.

Fontes consultadas

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