Pular para o conteúdo
Brasil

Itaipu abre segunda calha do vertedouro em meio à cheia na região

A medida operacional faz parte do controle de cheias dos rios Paraná e Iguaçu após fortes chuvas na região da Tríplice Fronteira.

Por 3 min de leitura

Itaipu abre segunda calha do vertedouro em meio à cheia na região
Itaipu abre segunda calha do vertedouro em meio à cheia na região

A Itaipu Binacional abriu a segunda calha, localizada na parte central do vertedouro, para escoar o excesso de água em decorrência da elevação dos rios Paraná e Iguaçu. A abertura ocorreu após dias de chuvas intensas registradas na região da Tríplice Fronteira, exigindo que a usina adotasse procedimentos operacionais para garantir uma operação segura e controlada.

Com duas calhas em funcionamento, a vazão pelo vertedouro registrou marcas expressivas. Pela manhã, o volume de água liberado era de aproximadamente 10,7 milhões de litros por segundo, o equivalente a 17,2% da capacidade operativa máxima da estrutura, estimada em 62,2 milhões de litros por segundo. Posteriormente, a vazão passou de 10,5 milhões para 11,3 milhões de litros por segundo.

De acordo com a Itaipu, a utilização de mais de uma calha responde a critérios estritamente técnicos e operacionais, definidos conforme o volume de água que precisa ser escoado. A empresa destacou que a abertura da segunda calha, por si só, não representa um agravamento imediato dos alagamentos nas comunidades, sendo o principal fator o volume total de água que chega às bacias hidrográficas.

O vertedouro de Itaipu é composto por três calhas equipadas com 14 comportas cada e funciona como estrutura de segurança para liberar a água que não pode ser aproveitada na geração de energia. Historicamente, a estrutura chegou a permanecer aberta de forma ininterrupta durante dez anos na época de instalação das unidades geradoras, e recentemente tem operado de maneira contínua desde o final de setembro.

A Comissão Especial de Cheias da Itaipu mantém o monitoramento permanente dos rios da região. Na Ponte da Amizade, o rio Paraná atingiu a cota de 116,13 metros acima do nível do mar. Em Foz do Iguaçu, a cheia já alcançou o Porto de Areia, no bairro Porto Meira, enquanto as residências da área começam a ser afetadas quando o nível atinge 119 metros.

O cenário de elevação das águas também afeta o Paraguai, onde inundações atingiram moradores do bairro San Rafael. A Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu prestou assistência a mais de 100 famílias afetadas, coordenando trabalhos de evacuação e transporte para locais seguros com o apoio de forças de segurança e voluntários.

Segundo explicações técnicas, o aumento do nível do rio Paraná é influenciado pelo volume expressivo do rio Iguaçu, que deságua a jusante da usina. Esse fenômeno, conhecido como efeito de remanso, reduz a capacidade de escoamento do Paraná. Engenheiros da Itaipu apontam que os acumulados de chuva superaram marcas importantes na bacia, exigindo o uso de todos os recursos operacionais disponíveis para minimizar os impactos sobre a população.

Fontes consultadas

Leia também