Justiça e MPT agem contra incentivo a demissões por escolha eleitoral
Parlamentares e figuras públicas são alvos de medidas judiciais e investigações após estimularem demissões de eleitores do presidente Lula nas redes sociais.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva motivou uma série de manifestações em redes sociais que incentivam empregadores a demitir funcionários por suas preferências políticas, desencadeando reações enérgicas do Ministério Público do Trabalho e da Justiça em diferentes estados brasileiros nesta semana.
No Rio de Janeiro, a Justiça do Trabalho concedeu uma medida liminar nesta terça-feira proibindo a deputada estadual Índia Armelau de incentivar empresários a dispensar trabalhadores que votaram em Lula. A decisão atende a um pedido do MPT-RJ, que apontou assédio eleitoral e discriminação por convicção política na publicação em que a parlamentar sugeria que empresários conferissem as redes sociais de seus empregados.
Situação semelhante ocorreu com o vereador de Curitiba e deputado federal eleito Guilherme Kilter, no Paraná. O MPT-PR emitiu uma recomendação exigindo que o parlamentar publique uma retratação após divulgar um vídeo com apelo semelhante aos empresários locais. O órgão estabeleceu que a nova postagem permaneça no ar por cinco dias para esclarecer que os trabalhadores têm o direito à livre escolha partidária.
Investigações do Ministério Público também alcançaram a vereadora de Londrina e deputada estadual eleita Jessicão, que utilizou plataformas digitais para recomendar a demissão de empregados apoiadores do Partido dos Trabalhadores. O MPT reforçou que represálias motivadas por escolhas políticas são ilegais e podem ser denunciadas a qualquer momento.
Especialistas em direito trabalhista lembram que, embora o empregador possua o direito potestativo de rescindir contratos sem justa causa, utilizar essa prerrogativa como punição por motivações político-partidárias configura prática discriminatória proibida pela Lei 9.029 de 1995.
Trabalhadores que sofrerem qualquer tipo de retaliação ou constrangimento em razão do voto podem acionar a Justiça para buscar indenizações por danos morais, além de solicitar a reintegração ao posto de trabalho ou o pagamento de indenização substitutiva, conforme previsto na legislação vigente.
Enquanto os órgãos de fiscalização mantêm o monitoramento sobre casos de assédio eleitoral no ambiente profissional, a repercussão dessas medidas reforça os limites constitucionais que protegem a liberdade de convicção política dos cidadãos brasileiros.
Fontes consultadas
- Microsoft lança programa de demissão voluntária em 4 países poder360.com.br
- Professor pede demissão após agredir documentarista durante entrevista em universidade nos EUA; vídeo oglobo.globo.com
- Vereador de Curitiba é alvo de recomendação do MPT após incentivar demissão de quem votou em Lula bandab.com.br
- Justiça proíbe deputada do PL de incentivar demissão de eleitores de Lula brasil247.com
- Demissão por voto nas eleições é ilegal; saiba como denunciar congressoemfoco.com.br