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Brasil

Justiça nega prisão de motorista que atropelou e matou tio de Boulos

Magistrado rejeitou pedido do Ministério Público, suspendeu a CNH do investigado e impôs medidas cautelares alternativas.

Por 3 min de leitura

Justiça nega prisão de motorista que atropelou e matou tio de Boulos
Justiça nega prisão de motorista que atropelou e matou tio de Boulos

A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de prisão preventiva contra Amilton Jusselino Rodrigues, motorista indiciado pelo atropelamento e morte de Carlos Boulos, de 80 anos, tio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. A decisão, proferida pelo juiz Daniel de Medeiros Silva Corró, da 3ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação do condutor e estabeleceu uma série de medidas cautelares alternativas.

O Ministério Público de São Paulo e a autoridade policial haviam solicitado a prisão preventiva do acusado, argumentando que ele deixou o local do atropelamento sem prestar socorro e que a medida seria necessária para a garantia da ordem pública. No entanto, o magistrado entendeu que os elementos apresentados não preenchiam integralmente os requisitos legais para a reclusão imediata, destacando também que o motorista compareceu posteriormente à delegacia para prestar esclarecimentos.

Como parte das restrições impostas pela Justiça, Amilton Jusselino deverá comparecer mensalmente ao fórum para justificar suas atividades e comprovar seu endereço. Ele também está proibido de mudar de residência ou de se ausentar de seu domicílio por um período superior a oito dias sem prévia autorização judicial. O juiz concedeu o prazo de dez dias para que a defesa apresente uma resposta escrita à acusação recebida.

O episódio ocorreu na noite de 3 de outubro, na Avenida 23 de Maio, na capital paulista. De acordo com as investigações da Polícia Civil, o cirurgião-dentista Carlos Boulos conduzia uma caminhonete quando se envolveu em uma discussão de trânsito após uma colisão com o veículo conduzido por Amilton.

Segundo os relatos policiais, a vítima desembarcou de seu automóvel para questionar o motorista que seguia logo atrás. Durante o desentendimento, o carro do suspeito avançou e atingiu o idoso, que caiu ao solo, bateu a cabeça e sofreu ferimentos de natureza grave. Uma testemunha conseguiu registrar o momento da discussão e do atropelamento por meio de um vídeo.

Após ser socorrido, Carlos Boulos permaneceu internado em estado grave por três dias, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu em 6 de outubro. Inicialmente, o caso foi registrado pela polícia como tentativa de homicídio, mas a tipificação mudou para homicídio consumado com qualificação por motivo fútil após a confirmação do óbito do idoso.

A defesa do motorista sustenta que não houve intenção deliberada de atingir ou matar a vítima. Os advogados alegam que Amilton tentou deixar o local do incidente por temer pela própria segurança e pela integridade física de sua esposa e de seu filho, que o acompanhavam no veículo. A defesa argumenta ainda que diligências periciais e depoimentos adicionais ajudarão a esclarecer a dinâmica dos fatos.

Com o recebimento da denúncia pelo Tribunal de Justiça, a ação penal terá prosseguimento, permitindo que o investigado responda ao processo em liberdade enquanto cumpre as restrições cautelares estipuladas. As autoridades prosseguem com a análise das provas periciais e dos depoimentos para determinar as responsabilidades penais no caso.

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