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Política

Listas de boicote a comércios de petistas geram polêmica em cidades

Campanhas de retaliação política contra estabelecimentos comerciais e profissionais autônomos motivam reações de autoridades e representações em órgãos de justiça pelo país.

Por 3 min de leitura

Listas de boicote a comércios de petistas geram polêmica em cidades
Listas de boicote a comércios de petistas geram polêmica em cidades

A circulação de listas com nomes de comerciantes e profissionais autônomos apontados como apoiadores do Partido dos Trabalhadores tem provocado intensa repercussão política em diversas cidades brasileiras. As campanhas de retaliação econômica, que incentivam boicotes a estabelecimentos associados à esquerda, motivaram reações de autoridades municipais, parlamentares e medidas formais em órgãos de controle em diferentes estados.

Em Pirassununga, no interior paulista, o vice-prefeito Lawrence Waclawiack, conhecido como Lawrence Patriota e filiado ao partido Novo, defendeu em um grupo de aplicativo de mensagens que os cidadãos deixassem de consumir em locais associados a petistas. Após a repercussão do caso, o político gravou um vídeo para negar que quisesse prejudicar o comércio local. Ele afirmou que sua resposta foi tirada de contexto e argumentou que adota pessoalmente a prática de evitar produtos de grandes empresas cujas posições políticas rejeita.

Situações semelhantes foram registradas em municípios do estado do Rio de Janeiro. Em Cambuci, uma relação com nomes de supostos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alvo de boicote envolveu mensagens atribuídas ao secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão Geral, Rafael de Almeida Braga. O prefeito Murilo Defanti informou que o secretário passará por uma reunião de repreensão, enquanto a Câmara Municipal divulgou nota de repúdio contra a intolerância política.

Outros episódios no território fluminense também ganharam destaque. Em Macaé, a procuradora do município Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro declarou nas redes sociais que não faria políticas públicas para petistas e sugeriu restrições a profissionais de outras regiões, o que resultou na instauração de um inquérito pela Polícia Civil e em repúdio da Ordem dos Advogados do Brasil. Em Cachoeiras de Macacu e Teresópolis, grupos digitais organizaram campanhas para identificar e evitar prestadores de serviços e estabelecimentos comerciais identificados com a esquerda.

Em Campinas, a movimentação política levou a vereadora Guida Calixto (PT) a apresentar uma representação ao Ministério Público contra o vereador parlamentar Nelson Hossri (PSD). A iniciativa ocorreu após uma postagem em que o vereador desafiava comerciantes a colocarem uma bandeira do PT em seus estabelecimentos, ato interpretado por parlamentares como um estímulo à perseguição e ao cerceamento econômico de trabalhadores.

A proliferação dessas listas pelo país motivou parlamentares a acionarem órgãos de justiça federais e estaduais para investigar a origem e a coordenação dessas redes de pressão. Representações protocoladas junto ao Ministério Público Federal e aos ministérios públicos estaduais pedem a apuração de eventuais crimes e a adoção de medidas protetivas para garantir o sustento e a integridade de comerciantes e trabalhadores atingidos por campanhas de intolerância.

Fontes consultadas

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