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Política

María Corina Machado retorna à Venezuela após dez meses no exterior

A principal liderança opositora voltou ao país em meio a negociações de transição democrática mediadas pelos Estados Unidos.

Por 3 min de leitura

María Corina Machado retorna à Venezuela após dez meses no exterior
María Corina Machado retorna à Venezuela após dez meses no exterior

A principal líder da oposição venezuelana e laureada com o Nobel, María Corina Machado, retornou à Venezuela após mais de dez meses no exterior, sendo recebida por multidões de apoiadores em Caracas no último domingo. O regresso ocorre em um momento de transformações no cenário político do país sul-americano, impulsionadas por articulações dos Estados Unidos, embora a opositora tenha permanecido à margem das conversas oficiais de transição.

Em publicações nas redes sociais, Machado celebrou o retorno com mensagens voltadas à liberdade e imagens de apoiadores que cercavam seu veículo com bandeiras e câmeras de celulares. Um apoiador ouvido pela imprensa local afirmou que a chegada representa uma fonte de esperança para as famílias separadas pela crise migratória. A opositora havia deixado o território nacional em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz na Noruega.

O retorno acontece após uma série de tentativas frustradas de reentrar no país nos últimos meses, segundo sua equipe de assessoria. A figura de destaque na política venezuelana permaneceu em grande parte oculta após as eleições presidenciais contestadas de 2024, cujos órgãos eleitorais controlados pelo governo declararam a vitória do então governante Nicolás Maduro, que posteriormente foi depuesto em janeiro por forças especiais norte-americanas.

A volta de María Corina Machado levanta expectativas e indagações sobre os rumos da transição democrática e a realização de futuras eleições na Venezuela. O diretor de relações internacionais de seu partido, Pedro Urruchurtu Noselli, declarou que o objetivo do regresso é fomentar a transição política e aproximar o país de novos pleitos eleitorais, enquanto o governo interino liderado por Delcy Rodríguez ainda não estabeleceu uma data oficial para a votação.

A relação entre a líder opositora e o governo estadunidense tem sido marcada por distanciamentos recentes. Após a destituição de Maduro, Washington optou por dialogar com a administração sucessora de Delcy Rodríguez para implementar reformas econômicas e políticas, incluindo o controle majoritário de reservas de petróleo anunciado no final de agosto. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou desconhecer a viagem de regresso de Machado, mas manifestou esperança de que ela esteja em segurança.

Por sua parte, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, enfatizou a importância de que as liberdades de todos os setores políticos sejam respeitadas e que os atores locais apoiem as conversas em curso. A Assembleia Nacional, controlada por aliados governistas, também pontuou que a restauração das garantias políticas deve permitir o retorno de todos os exilados para contribuir com a recuperação democrática.

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