Mercado financeiro revisa projeções e vê Selic em 11,75% para 2027
Boletim Focus aponta alterações nas expectativas econômicas enquanto ativos brasileiros enfrentam forte volatilidade no exterior após o pleito.
O mercado financeiro ajustou suas projeções para os principais indicadores econômicos do país, mantendo a estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, em 13,25% ao ano para 2026, enquanto a expectativa para o encerramento de 2027 recuou de 12,00% para 11,75%, conforme dados divulgados pelo Banco Central.
A revisão das expectativas ocorre em um cenário de intensa movimentação nos mercados internacionais, impulsionada pela repercussão da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que derrotou o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais realizadas em outubro de 2026.
Segundo o Boletim Focus, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,83% para 1,80%. Para o ano de 2027, a estimativa de expansão da economia recuou de 1,32% para 1,31%. No câmbio, a cotação esperada para o dólar no final de 2026 foi reduzida de R$ 5,13 para R$ 5,05.
A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), teve sua projeção para 2026 ajustada de 5,22% para 5,19%. Em contrapartida, a estimativa para 2027 subiu de 4,32% para 4,34%, marcando a segunda semana consecutiva de alta para este período.
No exterior, ativos de empresas brasileiras e contratos futuros registraram fortes oscilações logo após a confirmação do resultado eleitoral. Fundos que acompanham o desempenho de grandes companhias brasileiras negociadas em Nova York e recibos de ações de instituições financeiras e estatais apresentaram quedas expressivas nas negociações no pré-mercado e em horários alternativos.
Analistas do mercado internacional apontam que a reação dos investidores reflete a necessidade de reavaliar posições anteriormente atreladas à expectativa de alternância de poder e de medidas mais rigorosas de controle fiscal. A trajetória da dívida pública e a futura composição da equipe econômica surgem como fatores centrais para a percepção de risco.
Especialistas avaliam que uma eventual pressão persistente sobre o câmbio pode encarecer produtos importados, combustíveis e insumos agrícolas, gerando reflexos adicionais sobre a inflação. Esse cenário, caso se confirme, poderá impor desafios adicionais para a atuação do Banco Central na condução da política monetária e na trajetória futura dos juros.