Pular para o conteúdo
Economia

Mercados brasileiros e globais reagem com fortes quedas após vitória de Lula

A reeleição do presidente gerou forte volatilidade nos ativos financeiros, desmonte de apostas e perdas expressivas em bancos e empresas expostas ao país.

Por 3 min de leitura

Mercados brasileiros e globais reagem com fortes quedas após vitória de Lula
Mercados brasileiros e globais reagem com fortes quedas após vitória de Lula

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil provocou uma onda de vendas e forte volatilidade nos mercados financeiros globais e locais nesta segunda-feira. O resultado surpreendeu boa parte dos investidores internacionais e analistas, que apostavam majoritariamente em uma guinada econômica voltada para a austeridade com o candidato derrotado, o que obrigou o mercado a recalibrar rapidamente suas expectativas sobre inflação, juros e o déficit fiscal brasileiro.

Nas negociações que antecederam a abertura oficial das bolsas, os principais indicadores de risco sofreram quedas drásticas. Fundos negociados em bolsa que replicam ativos brasileiros registraram perdas severas em praças internacionais como Nova York e Tóquio, enquanto os contratos futuros do real despencaram mais de 10% frente ao dólar. Operadores em São Paulo alertaram para a possibilidade de acionamento do mecanismo de circuit breaker na B3 caso as perdas do índice Ibovespa ultrapassem o patamar de 10% no início dos negócios.

O setor bancário e as empresas estatais figuraram entre os mais penalizados pela reação dos investidores. Instituições financeiras de peso que negociam certificados de depósito de ações no exterior, a exemplo de Bradesco e Itaú, registraram desvalorizações acentuadas que se aproximaram ou superaram a faixa de 25% a 30% nas operações preliminares. A petroleira estatal Petrobras também enfrentou forte pressão vendedora, com quedas superiores a 20% diante de temores sobre possíveis interferências governamentais na precificação de combustíveis e na distribuição de dividendos.

Grandes companhias de tecnologia e comércio eletrônico com forte presença no território brasileiro sentiram o impacto imediato do resultado eleitoral em Wall Street. A plataforma Mercado Libre, por exemplo, registrou baixa expressiva em suas ações, reflexo direto do peso relevante que o mercado brasileiro representa em seus negócios e da perspectiva de desaceleração do consumo associada à desvalorização cambial e à manutenção de taxas de juros elevadas.

A reação abrupta dos mercados contrasta com o otimismo observado nas semanas anteriores, período em que o Ibovespa acumulou ganhos expressivos impulsionado pela expectativa de um ajuste fiscal rigoroso. Especialistas financeiros apontam que o retorno de Lula ao poder traz incertezas sobre o compromisso do governo em conter o crescimento da dívida pública, que já supera 80% do Produto Interno Bruto, elevando os prêmios de risco e pressionando as taxas futuras de juros.

Analistas de instituições globais como Citi e UBS ressaltam que o novo mandato exigirá um sinal claro e crível de disciplina fiscal para acalmar os ânimos dos investidores e evitar um encarecimento prolongado do crédito na economia real. Embora gestores ponderem que a situação econômica exigirá estabilização com o passar do tempo, o clima inicial permanece de cautela extrema diante dos desafios de governabilidade e das contas públicas.

Fontes consultadas

Leia também