Pular para o conteúdo
Economia

Dólar dispara e ultrapassa R$ 5,40 após reeleição de Lula

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno surpreendeu agentes financeiros e provocou forte aversão ao risco nos mercados.

Por 2 min de leitura

Dólar dispara e ultrapassa R$ 5,40 após reeleição de Lula
Dólar dispara e ultrapassa R$ 5,40 após reeleição de Lula

O dólar comercial abriu em forte alta nesta segunda-feira (26) e ultrapassou a marca de R$ 5,40, registrando um salto superior a 8% nos primeiros minutos de negociação na B3. O movimento ocorre após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25). Com quase a totalidade das urnas apuradas, o petista venceu a disputa com 51,78% dos votos válidos, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 48,22%.

O resultado das urnas contrariou as projeções predominantes no mercado financeiro e as pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas, que apontavam vantagem para o candidato da direita. Analistas apontam que os investidores vinham se posicionando para um cenário de vitória da oposição, o que gerou uma correção imediata e intensa nos preços dos ativos logo no início do pregão.

Para Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, o pleito representou uma mudança drástica na percepção de risco do país. Na mesma linha, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, destacou que o mercado esperava maior controle dos gastos públicos e agora precisará reavaliar as expectativas fiscais, especialmente considerando que o governo não disporá de maioria própria no Congresso Nacional.

A volatilidade também se estendeu ao mercado acionário. Na pré-abertura em Nova York, o principal fundo de ações brasileiras negociado no exterior, o EWZ, registrava queda superior a 25%, alimentando expectativas sobre a possibilidade de acionamento do circuit breaker na Bolsa brasileira. Como medida de proteção, a B3 ampliou os limites de oscilação diária para os contratos futuros de índices e de câmbio durante a sessão.

Além do impacto fiscal, o cenário político trouxe incertezas adicionais ligadas a questões institucionais. Especialistas mencionam que a decisão extraordinária do Supremo Tribunal Federal de prorrogar o horário de votação e os questionamentos levantados pela campanha derrotada sobre o pleito adicionam um prêmio de risco político que tende a permanecer no radar dos investidores ao longo da semana.

No cenário internacional, o comportamento das commodities e a expectativa em torno da decisão sobre as taxas de juros pelo Federal Reserve nos Estados Unidos também influenciam o ambiente de cautela. Com a desvalorização expressiva do real, operadores de mercado alertam para potenciais pressões sobre a inflação e possíveis reflexos na trajetória futura da taxa básica de juros, a Selic.

Fontes consultadas

Leia também