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Ministério Público pede condenação de Renato Cariani por tráfico e lavagem

Acusação aponta que influenciador e empresário mantinha laços com policial civil que repassava dados sigilosos sobre fiscalizações.

Por 3 min de leitura

Ministério Público pede condenação de Renato Cariani por tráfico e lavagem
Ministério Público pede condenação de Renato Cariani por tráfico e lavagem

O Ministério Público de São Paulo apresentou alegações finais no Tribunal de Justiça solicitando a condenação do influenciador digital e empresário Renato Cariani, além de Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, pelos crimes de tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O pedido, formalizado no âmbito de uma ação penal em trâmite na Justiça paulista, baseia-se em investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado que apontam o desvio de mais de 12 toneladas de insumos químicos entre 2014 e 2020.

De acordo com a denúncia do órgão ministerial, um dos pontos centrais que veio à tona durante as apurações envolve a proximidade entre Cariani e o policial civil André Dziuba, lotado no Setor de Produtos Controlados da corporação. A promotoria sustenta que o agente utilizava sua posição para repassar ao empresário informações privilegiadas sobre fiscalizações de substâncias químicas controladas, chegando inclusive a atuar para esvaziar e arquivar um inquérito policial anterior na comarca de Diadema.

Investigações conduzidas pelo Ministério Público revelaram que a relação entre o policial e o sócio da empresa Anidrol ia além do aspecto profissional. Mensagens obtidas pelas autoridades demonstram trocas de favores pessoais, convites para confraternizações e o fornecimento de suplementos alimentares por parte do influenciador para o tratamento de saúde do agente público. Em contrapartida, Dziuba consultava o empresário como especialista técnico sobre regulamentações e utilidades de insumos químicos controlados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Os diálogos anexados ao processo mostram o policial debatendo com Cariani sobre substâncias como citrato de fentanila e ácido bórico, com o empresário confirmando abertamente que tais insumos costumam ser empregados para potencializar o rendimento de entorpecentes como a cocaína. Além disso, o agente público compartilhava detalhes de inspeções realizadas em outras empresas e recebia sugestões do influenciador sobre quais alvos deveriam ser fiscalizados.

O esquema criminoso, que segundo o Ministério Público movimentou quase R$ 2,5 milhões em espécie, funcionava por meio da emissão de notas fiscais fraudulentas. A denúncia aponta a realização de ao menos 59 transações simuladas com o uso de nomes de multinacionais farmacêuticas, como a AstraZeneca, para viabilizar o desvio de matéria-prima destinada à produção de drogas como crack e cocaína.

Atualmente respondendo ao processo em liberdade, Renato Cariani e os demais réus foram alvos da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023. Em caso de condenação pelo Poder Judiciário, as penas somadas dos acusados podem variar de 16 a 51 anos de reclusão em regime fechado, além da aplicação de multas pecuniárias.

Em manifestação pública divulgada por meio de vídeo, o empresário reafirmou sua inocência e declarou que sua indústria química foi vítima de uma fraude perpetrada por terceiros, sendo responsabilizado judicialmente apenas por figurar como sócio do empreendimento. Cariani afirmou estar tranquilo quanto aos desdobramentos legais e expressou confiança no trabalho de sua defesa.

Por sua vez, a defesa técnica de Cariani emitiu nota oficial informando que recebeu com naturalidade o pedido de condenação formulado pela promotoria, classificando a manifestação como parte regular da atuação da acusação. Os advogados reiteraram convicção de que a instrução processual demonstrará a improcedência das acusações, culminando na absolvição do influenciador.

Fontes consultadas

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