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Política

MP Eleitoral investiga Rueda e Canella por emendas para Belford Roxo

Órgão quer apurar se a dupla articulou o envio de R$ 80 milhões ao município fluminense mesmo sem mandato na Câmara.

Por 3 min de leitura

MP Eleitoral investiga Rueda e Canella por emendas para Belford Roxo
MP Eleitoral investiga Rueda e Canella por emendas para Belford Roxo

A Procuradoria Eleitoral do Rio de Janeiro intensificou as investigações sobre Antônio Rueda e Márcio Canella, ambos do União Brasil, sob a suspeita de terem articulado a destinação de R$ 80 milhões em emendas parlamentares para o município de Belford Roxo, localizado na Baixada Fluminense, entre os anos de 2025 e 2026. O procedimento corre no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral.

De acordo com as apurações iniciais, os investigados são suspeitos de coordenarem os repasses de recursos federais e de terem se beneficiado financeiramente dos valores, mesmo não exercendo mandatos na Câmara dos Deputados no período em questão. O caso é acompanhado de perto pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Para aprofundar as investigações, os procuradores eleitorais solicitaram aos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o compartilhamento de documentos e provas oriundos de duas operações em andamento na corte. O pedido visa cruzar informações para detalhar a atuação dos políticos junto a parlamentares da legenda.

O material requisitado inclui dados da Operação Transparência, relatada por Flávio Dino, que investiga dirigentes partidários suspeitos de comandar a distribuição de verbas públicas sem ocuparem cargos eletivos. A solicitação também abrange a Operação Unha e Carne, sob a relatoria de Alexandre de Moraes, que apura crimes como lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e vazamento de informações sigilosas com ligações ao Comando Vermelho.

O histórico judicial de Márcio Canella é um dos pontos centrais da ofensiva dos órgãos de controle. Em julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, ele foi preso em flagrante por porte ilegal de fuzil calibre 5,56 mm, além de ter em seu veículo a quantia de R$ 919 mil e US$ 13 mil. Canella, que governou Belford Roxo por um ano, também é investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões por meio de postos de combustíveis, o que o levou a desistir de disputar uma vaga no Senado.

Novas evidências surgiram em 15 de outubro, data em que Canella foi novamente preso pela Polícia Federal. Durante a análise do telefone celular do político, os investigadores localizaram a anotação literal 'Emendas/20 Pedro 20 Mota', apontada como um registro de repasses parlamentares. Este elemento reforçou o pedido de acesso aos autos em tramitação no Supremo.

Como desdobramento do caso, os procuradores pediram acesso à manifestação oficial apresentada pelo União Brasil após determinação de Flávio Dino para que partidos com representação no Congresso esclarecessem se suas direções participam da definição ou distribuição de emendas parlamentares. A ordem inicial ocorreu após o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Em resposta ao questionamento judicial, o União Brasil negou que a direção nacional da legenda possua cotas, reservas ou titularidade sobre emendas parlamentares, o que abrangeria o período em que Rueda não ocupava cargo eletivo. O Ministério Público Eleitoral pretende confrontar esta negativa com os dados probatórios reunidos nos inquéritos para esclarecer a indicação e o destino dos recursos para Belford Roxo. Representantes dos investigados foram procurados para comentar as acusações, mas o espaço seguiu em aberto.

Fontes consultadas

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