União Brasil vai liberar filiados para integrar o governo Lula
A decisão, que marca um reposicionamento da legenda rumo ao centro, será anunciada na próxima semana pelo presidente do partido, Antônio Rueda.
O partido União Brasil decidiu liberar seus filiados para integrar a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme apurado junto a integrantes da cúpula da legenda. O anúncio oficial da medida deve ser feito na próxima semana pelo presidente nacional da sigla, Antônio Rueda, abrindo caminho para destravar conversas diretas entre o Palácio do Planalto e diferentes núcleos partidários.
A mudança de postura ocorre após um período de oposição e de rompimento com o governo federal oficializado em setembro de 2025, quando a federação formada por União Brasil e PP desembarcou da base governista e determinou que filiados com cargos na máquina federal deixassem suas funções. Na ocasião, a ordem gerou conflito interno e resultou na expulsão do então ministro do Turismo, Celso Sabino, que resistiu à saída.
Durante o processo eleitoral, o União Brasil e seu aliado PP apoiaram a candidatura de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. No entanto, o afastamento da legenda em relação ao bolsonarismo intensificou-se após a derrota eleitoral e a subsequente postura adotada pelo candidato do PL, que deixou o país rumo aos Estados Unidos e passou a emitir declarações contestando o resultado das urnas.
Outro fator preponderante para a reaproximação com o governo federal é a convergência de interesses em torno da reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, membro do União Brasil pelo Amapá. Alcolumbre conta com o apoio explícito de Lula e de Antônio Rueda para permanecer no comando do Senado, enfrentando a oposição do Partido Liberal, que busca a presidência da Casa para avançar com pautas de confronto e pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Com 46 cadeiras na Câmara dos Deputados e somando 87 parlamentares por meio de sua federação com o PP, o União Brasil torna-se um aliado estratégico para ampliar a base governista no Congresso, considerada diminuta para os próximos anos. A cúpula do Partido dos Trabalhadores já sinalizou interesse em estreitar o diálogo com a legenda para além da articulação com Alcolumbre.
Até o momento, as tratativas sobre a ocupação de cargos e pastas na Esplanada dos Ministérios ainda não ocorreram de forma objetiva, mas a expectativa é de que o União Brasil seja contemplado com espaços na administração federal. Enquanto isso, o PP, liderado por Ciro Nogueira, ainda não definiu quais serão seus próximos passos em relação ao governo.
O movimento do União Brasil ocorre em paralelo a outras movimentações no Centrão. Recentemente, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também liberou sua legenda para participar do governo, aproveitando a neutralidade mantida durante o pleito presidencial para pleitear maior espaço na partilha de cargos ministeriais.