Netflix registra lucro de R$ 19,8 bilhões, mas ações caem
Apesar do salto de quase 44% no lucro líquido no terceiro trimestre de 2026, a plataforma de streaming apresentou previsões mais fracas e menor crescimento na receita, pressionando os papéis da companhia.
A Netflix encerrou o terceiro trimestre de 2026 com um lucro líquido de US$ 3,66 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 19,8 bilhões, representando uma alta de 43,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Divulgados nesta terça-feira (20), os dados financeiros também mostraram avanço na receita global da gigante do streaming, que chegou a US$ 12,87 bilhões, o que corresponde a cerca de R$ 69,5 bilhões e um crescimento anual de 11,8%.
Ainda que o resultado financeiro tenha superado expectativas em algumas frentes, o ritmo de expansão da receita foi o menor registrado em quase três anos. O lucro operacional subiu 37,3% e alcançou US$ 4,46 bilhões, impulsionado pelo aumento nas assinaturas, reajustes de preços e efeitos cambiais favoráveis. A margem operacional passou de 28,2% para 34,6% na comparação anual, beneficiada por um calendário de despesas que ficou abaixo do planejado.
Contudo, a desaceleração no tempo de visualização do público e projeções futuras abaixo do esperado geraram preocupação no mercado financeiro. A empresa revisou para baixo a sua expectativa de receita com publicidade para 2026, passando de US$ 3 bilhões para aproximadamente US$ 2,7 bilhões, devido a atrasos na implementação de ferramentas publicitárias. A previsão de lucro por ação para o quarto trimestre também ficou aquém das estimativas dos analistas.
O co-CEO Ted Sarandos reconheceu que a companhia precisa aprimorar sua execução operacional, especialmente no mercado dos Estados Unidos, onde a empresa enfrenta dificuldades para acelerar o crescimento da audiência. Durante teleconferência com acionistas, o executivo afirmou que não há necessidade de mudanças fundamentais na estratégia global da corporação. A concorrência com redes sociais e serviços gratuitos de vídeo, como YouTube e TikTok, segue pressionando o engajamento dos usuários.
Para tentar reverter o cenário de desaceleração de engajamento, a diretoria aposta na renovação de seu catálogo, incluindo grandes eventos ao vivo, transmissões esportivas como jogos da NFL, lutas e novas temporadas de produções populares, além de ampliar a oferta de conteúdos licenciados de terceiros. A estratégia internacional também tem apresentado resultados positivos em países como Índia, Coreia do Sul e Japão, ajudando a sustentar a base de assinantes.
A divulgação dos resultados financeiros ocorre em meio a um processo de reorganização interna que incluiu a substituição de cargos de liderança na divisão de conteúdo e o corte de cerca de mil postos de trabalho, representando aproximadamente 6% da força de trabalho global da empresa. Com as perspectivas mais fracas para o fechamento do ano e as revisões nas metas de anúncios, as ações da companhia registraram queda superior a 5% nas negociações após o fechamento do mercado.
No acumulado do ano, investidores enfrentam volatilidade não apenas pelo desempenho das ações em dólar, mas também pelos reflexos cambiais frente ao real na bolsa brasileira. Enquanto a empresa tenta converter seus investimentos em produções de alto custo em maior retenção de público e receita sustentável, o mercado monitora de perto se a grade de eventos ao vivo planejada para o final do ano conseguirá impulsionar os números da plataforma.
Fontes consultadas
- Netflix lucra R$ 19,8 bi no trimestre, mas admite dificuldade para prender atenção do público olhardigital.com.br
- Netflix lucra R$ 19,8 bi no trimestre, mas admite dificuldade para prender atenção do público arquimedesdecastro.com.br
- R$ 100 mil em Netflix viraram R$ 66,8 mil, e o pós-balanço aponta R$ 62,8 mil investirecocaresocomecar.com.br