Pular para o conteúdo
Ciência

Nova analise genetica revela mutacoes em caes de Chernobyl

Estudo aponta indicios de selecao natural e variacoes no DNA de animais proximos a antiga usina nuclear.

Por 2 min de leitura

Nova analise genetica revela mutacoes em caes de Chernobyl
Nova analise genetica revela mutacoes em caes de Chernobyl

Cachorros que habitam as imediações da Usina Nuclear de Chernobil, na Ucrânia, apresentam características genéticas distintas que intrigam a comunidade científica. Uma pesquisa recente identificou indícios de seleção direcional em mais de 100 trechos do genoma desses animais, com genes que se relacionam diretamente com o reparo do DNA, a resposta imunológica e a regulação do ciclo celular.

Para alcançar esses resultados, a equipe de pesquisadores de diferentes instituições dos Estados Unidos comparou dados genômicos dos cães locais com os de outras populações caninas isoladas geograficamente. O trabalho dá continuidade a investigações anteriores que já haviam apontado diferenças expressivas entre os cachorros que vivem nos escombros da usina e aqueles situados na cidade abandonada de Chernobil, distante cerca de 16 quilômetros.

Segundo Megan Dillon, pesquisadora da Universidade Estadual da Carolina do Norte e principal autora do estudo publicado na revista Genes, a proximidade geográfica entre os dois grupos contrasta com o alto grau de diferenciação genética observado. A análise avaliou dois principais mecanismos evolutivos: a seleção natural e a deriva genética.

Os cientistas constataram que a população canina da usina não apresenta uma redução drástica na diversidade genética que pudesse ser atribuída unicamente à deriva genética, fenômeno característico de grupos pequenos e isolados. A comparação com cães das Ilhas Galápagos também reforçou que o isolamento por si só não justifica o perfil genético único encontrado nos animais da zona de exclusão.

Apesar dos indícios encontrados, os especialistas ressaltam que ainda não é possível afirmar categoricamente que a contaminação radioativa tenha provocado mudanças adaptativas diretas no DNA dos animais. Matthew Breen, coautor do estudo, pondera que os sobreviventes das exposições iniciais poderiam possuir uma diversidade genética subjacente e variantes que já lhes conferiam maior aptidão para enfrentar aquele ambiente adverso.

As regiões identificadas no genoma dos cães estão próximas de funções essenciais para a manutenção da vida, o que poderia auxiliar os organismos a lidarem com substâncias tóxicas. Contudo, os cientistas enfatizam que a relação exata entre a exposição ambiental e as assinaturas genômicas detectadas ainda precisa de investigações adicionais para ser plenamente compreendida.

Fontes consultadas

Leia também