Nova descoberta revela nome de cachorro no Egito Antigo
Pesquisadores identificam inscrição milenar em tumba que aponta para um animal batizado com referência ao deus do submundo.
Cientistas descobriram evidências da existência de um cachorro que viveu há mais de 3.500 anos no Egito Antigo e possuía um nome bastante incomum: "Ele do Submundo". O animal fazia parte do cotidiano de User, um antigo oficial egípcio que atuou como escriba e administrador sob o comando do faraó Tutmés I.
O achado foi localizado na tumba TT 21, situada em Sheikh Abd el-Qurna, na Necrópole Tebana, na margem oeste do Nilo, nas proximidades da atual Luxor. Na câmara mortuária, pinturas retratam cães com coleiras e sentados sob a cadeira de seus donos. Dois dos animais já tinham sido identificados anteriormente como "Confiável" e "Forte", mas o terceiro cão guardava um registro até então invisível.
De acordo com os pesquisadores, a identificação foi possível graças ao uso de tecnologia de aprimoramento de imagem digital, que permitiu tornar legíveis as inscrições quase apagadas atrás da cabeça do animal. O nome gravado horizontalmente pode ser traduzido como "Ele do Submundo" ou "Colui que pertence ao além", servindo muito provavelmente como uma alusão direta a Anúbis, o deus egípcio associado ao submundo e à proteção dos mortos.
A pesquisadora Chelsea Kaufman, da Universidade Johns Hopkins, detalhou os resultados no The Journal of Egyptian Archaeology. Embora variações do termo já tivessem sido documentadas anteriormente para designar pessoas, esta é a primeira vez que o título é identificado como o nome de um animal de estimação canino.
Nas representações artísticas, o cachorro exibe um corpo esguio, pernas longas, orelhas caídas, cauda curvada e uma pelagem avermelhada com marcas onduladas. Especialistas apontam que as características físicas e a silhueta remetem a um Sloughi, uma antiga raça de cães de caça do Norte da África comparada a um galgo.
Outro detalhe que chamou a atenção dos especialistas foi o hieróglifo utilizado junto ao nome do animal. Enquanto os nomes caninos costumavam vir acompanhados de um símbolo de um cão em pé, neste caso específico a gravura mostra um animal sentado, reproduzindo exatamente a postura do canino retratado na parede da tumba.
Os cães ocupavam uma posição de grande relevância na sociedade do Egito Antigo, sendo empregados em atividades como caça, guarda e companhia. Alguns animais eram tão valorizados que recebiam homenagens em inscrições tumulares e chegavam a ser sepultados ao lado de seus próprios donos.
Segundo os especialistas, a inclusão do nome e da imagem do animal nas tumbas tinha o propósito de assegurar a sobrevivência simbólica do companheiro no além, preservando sua memória juntamente com a do proprietário para a eternidade.
Fontes consultadas
- 'Ele do Submundo': nova descoberta revela nome dado a um cachorro pelos antigos egípcios; entenda oglobo.globo.com
- Pegada de cachorro é encontrada em tijolo de 3.700 anos revistagalileu.globo.com
- Egitto antico: anche i cani ricevevano nomi eterni nelle tombe - Nextme nextme.it
- Ancient Egyptians called their dogs names like 'He-of-the-Underworld' dailymail.com
- In ancient Egypt even dogs had names meant to survive death - Green Technology Investments greentechnologyinvestments.com