Nova ponte em Mato Grosso substitui balsa e reduz tempo de travessia
Estrutura de 1.410 metros sobre o rio Juruena promete encurtar rotas em mais de 400 quilômetros e eliminar tarifas elevadas de transporte fluvial.
Uma nova obra de infraestrutura no estado de Mato Grosso, atualmente com 77% de conclusão, promete transformar a mobilidade e a economia da região ao substituir a tradicional travessia de balsa sobre o rio Juruena. A estrutura, que contará com 1.410 metros de extensão, está localizada na rodovia MT-208 e vai ligar os municípios de Cotriguaçu e Nova Bandeirantes, eliminando um trajeto fluvial que hoje costuma durar cerca de uma hora.
A travessia por balsa, além de demorada, pesava no orçamento dos motoristas e gerava longas filas que podiam se estender por horas, principalmente durante os períodos de colheita agrícola ou nas épocas de cheias características do inverno amazônico. Com a entrega da ponte, a expectativa é que o tempo de passagem caia para apenas dois minutos, trazendo mais agilidade para o escoamento da produção e para o deslocamento cotidiano da população local.
Os custos associados ao transporte fluvial atual eram significativos para quem precisava circular frequentemente pela região. Dados da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados mostram que os valores máximos cobrados no Porto Cotriguaçu variavam conforme o veículo, chegando a R$ 147,40 para automóveis de passeio, R$ 159,20 para picapes e R$ 75,50 para motocicletas. Caminhões de maior porte, como os bitrens de dez eixos carregados, chegavam a pagar R$ 518,80 por travessia.
A necessidade de evitar essas tarifas elevadas e a imprevisibilidade das filas forçavam muitos motoristas a buscar caminhos alternativos e mais longos, passando por Juína para desviar da balsa. A nova estrutura viária viabilizará trajetos mais diretos, capazes de encurtar rotas em mais de 400 quilômetros e reduzir de forma expressiva os gastos com combustível e taxas.
Moradores e trabalhadores da região relatam as dificuldades enfrentadas diariamente por causa da limitação logística atual. O eletricista Jonas Mendes, morador de Apiacás que atende clientes em diferentes municípios, destaca que precisava ponderar rigorosamente a distância, os custos e o tempo de espera da balsa para conseguir planejar seus deslocamentos até Cotriguaçu.
Além do impacto direto na rotina dos cidadãos, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária aponta que a precariedade histórica na infraestrutura de transporte da região tem relação direta com os baixos preços das terras locais. Com a nova ligação terrestre, produtores rurais, comerciantes e transportadores ganham uma alternativa eficiente que promete impulsionar o desenvolvimento econômico do Vale do Juruena e facilitar a conexão com a rodovia BR-163.