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Economia

Novas regras tributárias alteram potência e peso de carros no Brasil

Montadoras redesenham veículos e ajustam motores para se enquadrar nas exigências do programa Mover e reduzir alíquotas de IPI.

Por 3 min de leitura

Novas regras tributárias alteram potência e peso de carros no Brasil
Novas regras tributárias alteram potência e peso de carros no Brasil

Novas regras tributárias e o programa federal Mover estão provocando mudanças significativas no mercado automobilístico brasileiro, levando montadoras a redesenhar veículos e recalibrar motores para garantir uma carga tributária menor. A lógica do chamado IPI Verde prevê cobrar menos impostos de automóveis considerados mais eficientes e de menor impacto ambiental, criando critérios de peso, aerodinâmica e potência que passaram a ser rigorosamente seguidos pelos engenheiros das marcas.

Um dos exemplos mais curiosos dessa transformação ocorreu com o Renault Kardian. Para se enquadrar no programa Carro Sustentável e obter alíquota zero de IPI, a versão de entrada do modelo passou por alterações na grade dianteira, aerofólio e retrovisores, além de perder 43 kg e o rack de teto. Com as modificações na aerodinâmica e no peso, o veículo deixou de ser classificado como utilitário esportivo pelo Inmetro e passou a ser tratado como hatch.

A busca por eficiência fiscal também reverteu tendências históricas de mercado, como o retorno de veículos movidos exclusivamente a etanol. A Chevrolet lançou configurações do Onix focadas em rodar apenas com álcool para aproveitar os incentivos tributários, movimento que também atraiu a atenção da Volkswagen com testes em modelos como o Polo Track. No segmento de híbridos, a GWM passou a adotar motores flex em toda a linha Haval para acumular reduções adicionais no imposto.

Outra consequência direta da nova tabela de tributação foi a redução da potência em diversos modelos à venda no País. Como o cálculo do IPI passou a considerar degraus específicos de potência, marcas como Chevrolet, Caoa Chery, Stellantis e Hyundai ajustaram o rendimento de seus propulsores turbo para evitar faixas de tributação mais elevadas, mantendo o torque e preservando a dirigibilidade na maioria dos casos.

Enquanto grande parte da indústria optou por reduzir a potência de seus veículos para pagar menos impostos, a Volkswagen adotou estratégia oposta na linha 2027 do utilitário compacto Tera. As versões topo de linha Comfort e High abandonaram o motor 170 TSI para adotar o propulsor 200 TSI de 128 cv, associado a uma nova transmissão automática de oito marchas.

De acordo com a fabricante, a combinação mecânica permitiu melhorar o desempenho nas acelerações de zero a 100 km/h sem comprometer o consumo de combustíveis. Os reajustes de preço aplicados às versões mais equipadas foram limitados a valores entre R$ 1.000 e R$ 1.600, enquanto as opções de entrada com motorização aspirada e manual mantiveram os preços da linha anterior.

O cenário tributário para o setor automotivo deverá passar por novos capítulos a partir de 2027, com a entrada em vigor do Imposto Seletivo instituído pela reforma tributária. A nova cobrança alcançará veículos com base em critérios como pegada de carbono, reciclabilidade e densidade tecnológica, mantendo a pressão sobre a engenharia das montadoras para novos ajustes.

Fontes consultadas

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