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Novo projeto de lei na Holanda quer retirar aborto do Código Penal

Proposta apresentada no final de setembro busca tratar a interrupção da gravidez exclusivamente como um procedimento médico regulado por leis de saúde.

Por 3 min de leitura

Novo projeto de lei na Holanda quer retirar aborto do Código Penal
Novo projeto de lei na Holanda quer retirar aborto do Código Penal

O debate sobre a regulamentação da interrupção da gravidez ganhou novo fôlego na Holanda com a reapresentação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados no final de setembro. A proposta, intitulada 'Wet abortus is zorg' (Lei aborto é cuidado), tem como objetivo central retirar a prática do artigo 296 do Código Penal, transferindo todas as salvaguardas legais para a legislação de saúde pública e cuidados médicos.

Atualmente, a interrupção da gravidez é permitida no país desde a aprovação da Lei de Aborto em 1984, mas permanece sob a jurisdição do direito penal. Isso significa que o procedimento é tecnicamente punível, a menos que seja realizado por médicos em clínicas autorizadas ou hospitais, seguindo rigorosos critérios regulatórios. O limite legal para a realização do procedimento permanece em torno de 24 semanas de gestação, marco em que o feto é considerado viável fora do útero.

Defensores da mudança, incluindo organizações como PRO e Fiom, argumentam que manter o aborto no Código Penal gera um estigma desnecessário sobre os pacientes e profissionais de saúde. Para os apoiadores da medida, que contam com o respaldo de pesquisas indicando que cerca de 60% da população apoia a alteração, a conduta deve ser tratada estritamente como um ato médico, com sua qualidade e segurança supervisionadas por normas sanitárias.

Em contrapartida, partidos políticos de orientação confessional e conservadora, como o CDA, a ChristenUnie e o SGP, manifestaram forte oposição ao projeto. Essas legendas sustentam que o enquadramento penal cumpre um papel fundamental na proteção da vida não nascida e atua como um mecanismo de dissuasão contra práticas forçadas. Especialistas em direito e saúde divergem sobre os reflexos práticos da alteração.

Enquanto alguns juristas apontam que a tipificação criminal atual oferece clareza e limites rigorosos contra intervenções irregulares, outros profissionais da área médica reforçam que a assistência já é amplamente segura e normatizada por diretrizes profissionais. A legislação holandesa passou por flexibilizações recentes, como a eliminação do período obrigatório de reflexão de cinco dias em 2023 e a autorização para que médicos generalistas capacitados prescrevam a pílula abortiva até nove semanas a partir de 2025.

O futuro da proposta legislativa permanece incerto, uma vez que o texto ainda precisa passar pela análise do Conselho de Estado e ser debatido formalmente pelas duas casas do parlamento holandês. Até que uma eventual mudança seja aprovada e promulgada, o aborto continuará a ser regulado pelas disposições do Código Penal vigente no país.

Fontes consultadas

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