O avanço do crime organizado e os desafios na segurança pública
Especialistas apontam lacunas em propostas de candidatos no Brasil, enquanto no Peru o Executivo ganha novos poderes para legislar.
A segurança pública consolidou-se como uma das maiores preocupações da população e mobiliza debates políticos em meio a um cenário de facções ramificadas, superlotação prisional e violência em diversas regiões. O avanço de grupos armados como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho atingiu o sistema financeiro e o controle de territórios, intensificando a crise que se estende por décadas.
No Brasil, o debate eleitoral opõe diferentes visões de enfrentamento. O candidato Flávio Bolsonaro aposta em endurecimento penal, na construção de novos presídios de segurança máxima e na flexibilização do acesso a armas. Por outro lado, Lula concentra propostas na asfixia econômica das facções, no aprimoramento do rastreamento de armamentos e no fortalecimento das atribuições da Polícia Federal.
Especialistas em segurança pública apontam lacunas em ambas as abordagens. Para Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a proposta de Flávio carece de clareza sobre como retomar territórios sem olhar para frentes financeiras do crime, enquanto o programa de Lula falha ao não detalhar a quebra do controle territorial exercido pelos grupos.
Levantamentos recentes também evidenciam a influência de organizações criminosas e milícias no cenário político, com votações concentradas em áreas dominadas por esses grupos no Rio de Janeiro. A participação de candidaturas legislativas em locais sob controle armado acende alertas sobre a intermediação de votos e o cerceamento de campanhas concorrentes.
Enquanto isso, na fronteira entre o Brasil e o Peru, comunidades indígenas denunciam o avanço do crime organizado sobre os rios e nascentes. O xamã e liderança Ashaninka Moisés Piyãko alerta que o desmatamento e o extrativismo ilegal associados a facções ameaçam os ecossistemas locais, comprometendo o ciclo das águas na região amazônica.
No âmbito internacional, o Senado do Peru aprovou a concessão de poderes legislativos para que a presidente Keiko Fujimori edite normas de segurança pública por decreto durante 90 dias, sem a necessidade de aprovação do Congresso. A medida permite acionar as Forças Armadas em operações conjuntas com a polícia e intensificar o rigor contra organizações criminosas, gerando, contudo, resistência e preocupação na oposição quanto a possíveis abusos.
Fontes consultadas
- O crime organizado entrou no Corinthians.. Entrevista com o T.I demitido meutimao.com.br
- Dois comandos: Lula mira nas economias do crime, enquanto Flávio Bolsonaro foca em endurecimento penal e mais armas oglobo.globo.com
- Flávio teve vitórias acima de sua média em áreas de milícia e dominadas pelo crime no Rio valor.globo.com
- Xamã Ashaninka denuncia ameaça do crime organizado às águas da fronteira entre Acre e Peru ac24horas.com
- Peru dá a Keiko Fujimori poder para legislar sem aprovação do Congresso tmc.com.br