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Saúde

OMS cobra dados da Rússia após morte de cientista e investiga segundo caso

Organização Mundial da Saúde pediu esclarecimentos sobre óbito de pesquisadora na Sibéria e relatos de nova internação.

Por 3 min de leitura

OMS cobra dados da Rússia após morte de cientista e investiga segundo caso
OMS cobra dados da Rússia após morte de cientista e investiga segundo caso

A Organização Mundial da Saúde solicitou formalmente ao governo da Rússia informações detalhadas sobre a morte de uma técnica de laboratório na região de Irkutsk, na Sibéria, e investiga relatos de uma segunda ocorrência com sintomas semelhantes de pneumonia de causa desconhecida. Daria Shipilova, de 28 anos e funcionária do Instituto de Pesquisa Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, faleceu em 2 de outubro após ser hospitalizada com um quadro respiratório grave na cidade vizinha de Shelekhov.

O caso gerou preocupação internacional e atenção de autoridades estrangeiras em meio a especulações veiculadas pela imprensa local de que a pesquisadora poderia ter sido exposta à bactéria Yersinia pestis, causadora da peste pneumônica, após um suposto acidente com um tubo de ensaio no laboratório. Diante da repercussão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que discutirá o assunto em breve com o presidente russo, Vladimir Putin, e mencionou a disposição americana de prestar assistência técnica ou humanitária, caso necessário.

Apesar das hipóteses levantadas por veículos independentes e órgãos locais, as autoridades russas negaram veementemente qualquer relação entre a morte e a peste. O Serviço Federal de Vigilância Sanitária da Rússia, o Rospotrebnadzor, divulgou que Shipilova morreu em decorrência de uma pneumonia grave de etiologia não especificada. A agência sanitária afirmou que testes extensivos não detectaram nenhum microrganismo relacionado às atividades profissionais da jovem em suas amostras biológicas e garantiu que não houve falhas de biossegurança.

Questionado sobre a situação, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu que a imprensa e o público se baseiem exclusivamente nas informações oficiais fornecidas pelo Rospotrebnadzor para evitar boatos. O governo regional de Irkutsk também convocou uma reunião extraordinária de sua comissão sanitária e antiepidêmica para monitorar o cenário, embora tenha classificado como falsas as mensagens online que apontavam para a imposição de medidas severas de restrição e quarentena generalizada na região.

Como medida preventiva após a internação de Shipilova, parte do hospital de Shelekhov foi colocada sob quarentena no início de outubro e cerca de 200 pessoas que tiveram contato com a técnica foram submetidas à observação médica. Contudo, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, afirmou nesta terça-feira que todos os contatos da paciente foram mapeados e monitorados, e nenhum deles apresentou sintomas de doenças infecciosas perigosas, registrando apenas casos isolados de infecções sazonais, como coronavírus e rinovírus.

A avaliação de risco divulgada pela OMS classifica a ameaça atual de um surto mais amplo como muito baixa na Europa, baixa para o restante da Rússia e entre moderada e baixa para a região específica de Irkutsk. A organização internacional aguarda agora os dados adicionais solicitados a Moscou para esclarecer definitivamente o patógeno envolvido, a causa exata da pneumonia grave e a veracidade dos relatos sobre o segundo caso suspeito sob investigação.

Fontes consultadas

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