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Saúde

OMS investiga morte de pesquisadora na Rússia por pneumonia

A Organização Mundial da Saúde busca esclarecimentos sobre o caso na Sibéria que levantou alertas sanitários internacionais.

Por 3 min de leitura

OMS investiga morte de pesquisadora na Rússia por pneumonia
OMS investiga morte de pesquisadora na Rússia por pneumonia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou esclarecimentos ao governo russo sobre a morte da técnica de laboratório Darya Shipilova, de 28 anos, ocorrida em 2 de outubro na cidade de Shelekhov, localizada na Sibéria. A funcionária do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk foi hospitalizada no final de setembro apresentando um quadro de insuficiência respiratória aguda e pneumonia de origem desconhecida, levantando preocupações internacionais e investigações sobre um possível caso de peste pneumônica.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que o compartilhamento transparente e tempestivo de informações é fundamental para avaliar potenciais riscos à saúde pública e esclarecer relatos conflitantes veiculados pela imprensa. Por sua vez, a diretora de Gestão de Epidemias e Pandemias da agência, Maria Van Kerkhove, pontuou que o agente exato causador da infecção e a forma de contaminação da pesquisadora ainda não foram totalmente elucidados.

A imprensa russa e veículos internacionais divulgaram a hipótese de que Shipilova teria sido exposta à bactéria Yersinia pestis após a quebra acidental de um tubo de ensaio durante o expediente. Contudo, o epidemiologista Mikhail Favorov questionou a versão ao ponderar que os funcionários utilizam equipamentos de proteção individual, exigindo maior clareza sobre como uma eventual exposição teria ocorrido no ambiente controlado.

As autoridades russas negaram a confirmação de novos casos de peste pneumônica e refutaram os relatos veiculados pela mídia como informações falsas. O órgão federal de vigilância sanitária do país, o Rospotrebnadzor, declarou que exames realizados em pessoas que tiveram contato direto com a técnica não identificaram patógenos de alto risco. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também orientou que a população e a imprensa se baseiem exclusivamente nos comunicados oficiais.

Apesar das negativas oficiais, a imprensa internacional reportou que cerca de 197 pessoas identificadas como contatos diretos ou indiretos da pesquisadora foram colocadas sob medidas de isolamento ou acompanhamento médico, com aproximadamente cem indivíduos em observação hospitalar. Veículos independentes também relataram a morte de uma segunda pessoa com sintomas respiratórios graves na região de Irkutsk, embora esse segundo óbito não tenha sido confirmado de forma independente.

O episódio gerou reações em países vizinhos e governos estrangeiros. Quirguistão, Uzbequistão, Cazaquistão e Mongólia intensificaram os controles de fronteira e as medidas sanitárias preventivas. Enquanto isso, a Comissão Europeia acompanha a situação de perto, e os Estados Unidos informaram que monitoram o cenário, com o ex-presidente Donald Trump oferecendo assistência à Rússia e descartando indícios de arma biológica.

A peste é uma infecção milenar causada pela bactéria Yersinia pestis, comumente associada a roedores e pulgas. Ela pode se manifestar nas formas bubônica, septicêmica e pneumônica, sendo esta última a mais grave por atingir os pulmões e permitir a transmissão direta entre pessoas por gotículas respiratórias. Embora especialistas considerem remota a possibilidade de uma nova pandemia global devido ao uso de antibióticos e melhores condições de higiene, o episódio na Rússia recolocou o tema no centro das atenções da vigilância sanitária mundial.

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