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Política

Parlamentares dos EUA cobram Rubio sobre fuga de Flávio Bolsonaro

Grupo de deputados democratas exige explicações do Departamento de Estado americano sobre um suposto apoio à saída do senador brasileiro para Miami.

Por 3 min de leitura

Parlamentares dos EUA cobram Rubio sobre fuga de Flávio Bolsonaro
Parlamentares dos EUA cobram Rubio sobre fuga de Flávio Bolsonaro

Um grupo de vinte e cinco deputados democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos enviou uma carta oficial ao secretário de Estado, Marco Rubio, exigindo respostas imediatas sobre o papel do governo americano na saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil. A solicitação, protocolada na última quinta-feira e liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, questiona se recursos diplomáticos ou de imigração foram utilizados para facilitar a viagem e a concessão de vistos ao parlamentar, que deixou o território brasileiro após determinação do Supremo Tribunal Federal.

A pergunta central apresentada pelos parlamentares busca esclarecer se o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência federal auxiliaram o senador a viajar e entrar no país norte-americano, apesar da restrição judicial brasileira que o impedia de deixar o território nacional e determinava a entrega de seus passaportes. Os legisladores argumentam que o Congresso americano tem o dever de fiscalizar e garantir transparência em processos que envolvem relações bilaterais sensíveis e ordens judiciais estrangeiras.

O documento detalha uma série de questionamentos sobre o cronograma e os bastidores da viagem, incluindo quando as autoridades diplomáticas souberam da ordem do STF, se houve análise prévia do veto judicial à saída do Brasil e quem autorizou a emissão dos vistos para o senador e sua família. Os deputados também cobram informações sobre eventuais contatos entre representantes do governo dos Estados Unidos e o parlamentar, seus assessores ou advogados, bem como sobre a coordenação com agências de segurança de fronteira.

A polêmica ganhou ainda mais repercussão após relatos da imprensa apontarem que assessores em Washington teriam atuado na organização do deslocamento e na contratação do jato que levou a família da Argentina até Miami, com uma escala no Equador. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos limitou-se a informar que a família foi inspecionada e liberada na chegada à Flórida conforme os procedimentos normais, enquanto o Departamento de Estado não respondeu imediatamente aos pedidos de esclarecimento.

No Brasil, a Polícia Federal investiga a rota exata utilizada por Flávio Bolsonaro para deixar Brasília e alcançar Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina, de onde prosseguiu viagem utilizando um passaporte italiano. Os investigadores apuram se houve auxílio logístico e financeiro de empresários e aliados políticos, além de suspeitarem da colaboração do governo argentino, liderado por Javier Milei, na operação de saída.

Enquanto isso, o Palácio do Planalto avalia que o presidente Lula chega fortalecido pela vitória nas urnas e não pretende realizar reações diplomáticas duras contra os governos americano e argentino, a menos que novos fatos comprovem interferência direta. A gestão brasileira aposta no diálogo e aguarda os desdobramentos das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos para reavaliar o cenário das relações bilaterais.

Nos Estados Unidos, o senador publicou nas redes sociais uma carta contestando o resultado da eleição presidencial brasileira e adotando inicialmente o título de presidente eleito, termo que foi alterado posteriormente para líder do Brasil. Aliados do Partido Liberal no Brasil tentam reorganizar a legenda e debatem caminhos de moderação frente às incertezas políticas geradas pela fuga e pelas repercussões da viagem.

Fontes consultadas

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