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Saúde

Pesquisa revela que maioria das brasileiras desconhece leis sobre exames de câncer

Estudo aponta que nove em cada dez mulheres não sabem sobre prazos legais para diagnóstico e tratamento oncológico no país.

Por 3 min de leitura

Pesquisa revela que maioria das brasileiras desconhece leis sobre exames de câncer
Pesquisa revela que maioria das brasileiras desconhece leis sobre exames de câncer

Nove em cada dez mulheres no Brasil desconhecem a Lei dos 30 Dias, normativa que estabelece um prazo máximo de um mês para a realização de exames necessários à confirmação do diagnóstico de câncer em casos suspeitos. A informação faz parte do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas 2026, elaborado pelo Instituto Natura e pela Avon, que também revelou que 92% das brasileiras ignoram a existência da Lei dos 60 Dias, que garante o início do tratamento oncológico em até dois meses após o diagnóstico.

O levantamento foi conduzido pela agência de pesquisa Quiddity, que ouviu 2.094 mulheres com 18 anos ou mais em todo o território nacional. Segundo os dados obtidos, a falta de acesso à informação dificulta a busca pelos direitos assegurados por lei e contribui para que o diagnóstico da doença ocorra em estágios mais avançados, cenários nos quais o tratamento se torna mais complexo.

Dados do Panorama do Câncer de Mama indicam que 51% das pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde em 2025 já se encontravam nos estágios três ou quatro da doença, quando há avanço local ou metástase. Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura, destaca a importância da divulgação dessas normas.

Segundo Lorencinho, os direitos garantidos por políticas públicas só podem ser exercidos caso a população tenha conhecimento deles. A especialista aponta que esse fator ajuda a explicar por que o câncer de mama é o que mais causa mortes entre mulheres no Brasil, apesar de apresentar altas chances de cura quando detectado precocemente.

A pesquisa também identificou disparidades relacionadas à renda e ao acesso aos serviços de saúde. Mulheres atendidas na rede privada, com maior poder aquisitivo e faixa etária mais elevada, apresentam índices superiores de conscientização em comparação às usuárias do sistema público, que costumam ser mais jovens e de menor renda.

Além disso, o estudo demonstrou que 76% das entrevistadas desconhecem que a mamografia pode ser realizada pelo SUS em qualquer idade caso haja sintomas ou indicação médica. Entre as mulheres com mais de 40 anos que nunca passaram pelo exame, 23% relataram que o procedimento nunca foi solicitado por um profissional de saúde.

O levantamento reforça a necessidade de ampliar as campanhas informativas e de aprimorar os fluxos de comunicação com a população feminina, visando a detecção precoce da doença e a redução das desigualdades no acesso aos serviços de saúde em âmbito nacional.

Fontes consultadas

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