PF prende ex-prefeito e ex-chefe da Polícia Civil do RJ por lavagem de dinheiro
Operação investiga esquema bilionário em postos de combustíveis supostamente ligado a desvios e policiais.
A Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Unha e Carne nesta quinta-feira, resultando na prisão preventiva do deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e do ex-secretário estadual de Polícia Civil, Marcus Amim. As ordens de prisão foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de investigações que apuram um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro.
De acordo com as autoridades federais, a estrutura criminosa sob investigação movimentou mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. O inquérito policial teve início a partir de um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que apontou indícios de ocultação de patrimônio, uso de empresas em nome de familiares de agentes públicos e possíveis conexões políticas.
Além de Canella e Amim, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra quatro inspetores da Polícia Civil: Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. O avanço da investigação também motivou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas, incluindo 96 postos de combustíveis.
As apurações apontam que policiais civis exerciam o controle oculto de estabelecimentos comerciais utilizando nomes de parentes e intermediários para driblar a fiscalização e ocultar os verdadeiros beneficiários dos negócios. A movimentação de grandes quantias em dinheiro vivo em alguns postos, que restringiam pagamentos eletrônicos, também chamou a atenção dos investigadores durante as diligências.
O caso possui desdobramentos anteriores, visto que Canella e Amim já haviam sido alvos de mandados de busca e apreensão na sexta fase da operação, realizada em julho. Naquela ocasião, Canella foi preso em flagrante por porte de arma, mas acabou solto dias depois por decisão do STF. Posteriormente, ele concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nas eleições recentes.
As conexões entre os suspeitos e a cúpula da segurança pública fluminense são examinadas minuciosamente pela Polícia Federal. Marcus Amim, que presidiu o Detran-RJ e chefiou a Polícia Civil entre 2023 e 2024 após mudanças na legislação estadual, mantinha laços profissionais com vários dos inspetores agora detidos preventivamente.
A atual fase da operação policial está vinculada à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como a ADPF das Favelas, na qual o STF determinou que a Polícia Federal investigue eventuais relações entre agentes públicos e o crime organizado no estado do Rio de Janeiro. A defesa dos investigados ainda analisa os autos para se manifestar sobre as acusações.