Pular para o conteúdo
Brasil

Piloto de balão é denunciado por tragédia que matou oito em SC

Ministério Público aponta negligência e imprudência em acidente de balonismo ocorrido em Praia Grande no ano passado.

Por 3 min de leitura

Piloto de balão é denunciado por tragédia que matou oito em SC
Piloto de balão é denunciado por tragédia que matou oito em SC

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou criminalmente o piloto e sócio-administrador da empresa de balonismo envolvida na queda de um balão de ar quente em Praia Grande, no Extremo-Sul catarinense. O acidente, registrado em 21 de junho de 2025, resultou na morte de oito pessoas e deixou outras três feridas, tornando-se uma das maiores tragédias da modalidade no país. O processo tramita em segredo de justiça na Vara Única da comarca de Santa Rosa do Sul.

Elves de Bem Crescêncio foi denunciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa, após a Promotoria de Justiça rejeitar o arquivamento do inquérito policial concluído pela Polícia Civil sem indiciamentos em outubro de 2025. O promotor de Justiça Ricardo Figueiredo Coelho Leal solicitou diligências complementares e laudos periciais da Polícia Científica para embasar a acusação, além de requerer a condenação do piloto ao pagamento de indenizações por danos morais às doze vítimas sobreviventes e aos sucessores das oito vítimas fatais.

De acordo com a denúncia, o piloto agiu com imprudência ao transportar no cesto do balão um maçarico acoplado a um frasco de gás MAPP diferente do acendedor auxiliar fornecido pelo fabricante. O equipamento não possuía trava de segurança, permanecia aceso sem atuação humana contínua e exigia fechamento manual. O documento aponta que o item caiu da mala de bordo, acionou a centelha e iniciou o fogo ao atingir a capa de revestimento de um cilindro de propano.

A investigação detalha que o operador negligenciou o checklist operacional da empresa e não conferiu a válvula do maçarico, que estava aberta em aproximadamente três quartos de volta antes da decolagem. Além disso, o promotor destacou que o condutor retardou o pouso forçado e, após o contato com o solo, abandonou o veículo sem fechar as válvulas dos cilindros e soltando a fita de controle superior.

Ao saltar do cesto e largar o controle do equipamento, o balão, ainda em chamas e com oito pessoas a bordo, retornou de forma desgovernada para o ar. Quatro passageiros saltaram na tentativa de escapar e faleceram em decorrência da queda, enquanto outros quatro morreram carbonizados. Os demais sobreviventes conseguiram sair ou foram arremessados com o impacto inicial.

O Ministério Público também apontou que os passageiros não foram informados sobre os riscos inerentes à atividade aerodesportiva de alto risco regulada pela aviação civil, nem sobre a falta de qualificação técnica da aeronave e da operadora junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O passeio era comercializado comercialmente como voo de instrução, mas funcionava como atividade turística.

Diante da gravidade e da extensão dos danos, a Promotoria manifestou-se contrária à celebração de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Cabe agora à Justiça decidir se aceita a denúncia apresentada, transformando o piloto em réu para o início da instrução criminal com a oitiva de testemunhas.

Fontes consultadas

Leia também