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Política

Polícia Civil investiga agente suspeito de vazar dados para Renato Cariani

Corregedoria apura conduta de investigador apontado pelo Ministério Público por favorecer o influenciador em inquéritos.

Por 3 min de leitura

Polícia Civil investiga agente suspeito de vazar dados para Renato Cariani
Polícia Civil investiga agente suspeito de vazar dados para Renato Cariani

A Corregedoria Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo instaurou um procedimento para apurar a conduta do investigador André Dziuba, suspeito de repassar informações sigilosas e de favorecer o influenciador fitness e empresário Renato Cariani. O caso veio à tona após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentar as alegações finais no processo criminal em que Cariani é réu por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

De acordo com as apurações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e com as mensagens interceptadas pela promotoria, o policial civil e o influenciador mantinham uma relação de proximidade que extrapolava o âmbito profissional. O MPSP sustenta que Dziuba informava o empresário sobre o andamento de diligências, fornecia dados de veículos monitorados e repassava detalhes de investigações em curso no setor de produtos químicos e suplementos.

A acusação aponta ainda que o investigador atuou ativamente para esvaziar e travar o avanço de um inquérito policial anterior contra Cariani, que tramitava na 2ª Vara Criminal de Diadema e acabou sendo arquivado em 2023. Em uma das conversas analisadas pela promotoria, datada de 2020, o influenciador teria acompanhado o desfecho do caso e indicado que elaboraram um relatório para convencer o delegado a cessar as diligências.

A troca de favores também envolvia o setor comercial e fiscalizações. Enquanto o agente pedia suplementos ao influenciador para o tratamento de seu joelho e o consultava sobre produtos químicos antes de realizar fiscalizações, Cariani sugeria empresas concorrentes que deveriam ser fiscalizadas pelo policial com o objetivo de prejudicá-las no mercado. Em abril de 2019, mensagens mostraram que Cariani confirmou ao agente que a substância citrato de fentanila era utilizada por criminosos para aumentar o rendimento da cocaína.

O processo principal aponta que Renato Cariani, junto com Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, seria responsável pelo desvio de 12 toneladas de insumos químicos para a produção de 15 toneladas de drogas, como crack e cocaína. O esquema contava com a emissão fraudulenta de notas fiscais em nome de empresas farmacêuticas de grande relevância, como a AstraZeneca, por meio de laranjas e depósitos em espécie que somaram quase R$ 2,5 milhões em dezenas de transações.

Em nota oficial, a Polícia Civil de São Paulo informou que os fatos serão rigorosamente apurados por meio de um procedimento correcional próprio, com produções técnicas, oitivas e diligências. A instituição reafirmou o seu compromisso com a legalidade, a transparência e a correta elucidação dos acontecimentos. A defesa de André Dziuba não foi localizada para comentar as acusações.

Por sua vez, a defesa de Renato Cariani declarou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo MPSP, ressaltando que se trata da tese defendida pelo órgão desde o início da ação penal. Os advogados do influenciador afirmam que responderão aos argumentos nas alegações finais defensivas e expressaram confiança de que o Poder Judiciário fará um julgamento isento que resultará na absolvição de Cariani.

Fontes consultadas

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