Polícia Civil investiga suposto abuso de menino em abrigo no Acre
Família cobra providências e apura omissão da instituição e do Conselho Tutelar após denúncia.
A Polícia Civil do Acre investiga uma denúncia de abuso sexual contra um menino de 11 anos ocorrido dentro de um abrigo localizado no município de Cruzeiro do Sul, no interior do estado. A vítima, que possui Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), crises de epilepsia silenciosa e deficiência mental, teve o caso revelado no dia 17, mobilizando familiares, conselheiros tutelares e autoridades de segurança pública.
Familiares do menino relataram dificuldades para obter informações e acessar a instituição de acolhimento logo após tomarem conhecimento da situação. Segundo uma tia da criança, que preferiu não se identificar, a entrada de parentes e da mãe foi inicialmente barrada pelos responsáveis, sendo permitida apenas após a intervenção de um advogado e da Polícia Civil.
A familiar também criticou a atuação do Conselho Tutelar e a conduta da administração do abrigo. De acordo com ela, houve omissão por parte da direção da entidade, que já teria conhecimento dos fatos, e demora por parte do órgão de proteção no registro formal da denúncia na delegacia.
Por outro lado, o 2° Conselho Tutelar de Cruzeiro do Sul rebateu as acusações e afirmou que todos os trâmites legais foram cumpridos. A conselheira Alderlis Dantas explicou que, ao ser notificada, a equipe acionou a coordenação do abrigo e providenciou imediatamente a transferência da vítima para outra unidade, visando separar o menino do suposto agressor.
A conselheira justificou que o registro oficial da ocorrência na delegacia pôde ser formalizado apenas na segunda-feira seguinte devido ao fato de o caso ter ocorrido durante o final de semana. Ela ressaltou que compete à Polícia Civil conduzir investigações e inquéritos, reafirmando o papel fiscalizador do Conselho Tutelar na garantia dos direitos infantojuvenis.
A direção do abrigo declarou que atua sob normas sigilosas e diretrizes estaduais por receber crianças em situação judicial. A administração informou que está à disposição da polícia e da Justiça para colaborar com os esclarecimentos e apurar se os fatos realmente ocorreram.
O delegado responsável pelo caso, Heverton, informou que a investigação está em fase inicial e que diversas diligências já foram realizadas. Entre as medidas adotadas estão a solicitação de exame de corpo de delito, oitiva de familiares, funcionários e conselheiros, além da análise de imagens de câmeras de segurança e depoimento da própria criança com apoio de psicólogos e assistentes sociais.
A autoridade policial enfatizou que a investigação também apura a suposta omissão da direção do abrigo por não ter comunicado o crime imediatamente às autoridades competentes, alertando que todos aqueles que tomaram conhecimento da situação e não agiram poderão ser responsabilizados criminalmente.