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Política

Polícia Federal aponta divergências em delação sobre o filme Dark Horse

Investigação que envolve os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro teve pedido de prorrogação enviado ao STF.

Por 2 min de leitura

Polícia Federal aponta divergências em delação sobre o filme Dark Horse
Polícia Federal aponta divergências em delação sobre o filme Dark Horse

A Polícia Federal identificou contradições no depoimento do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, que firmou um acordo de delação premiada no inquérito que apura o financiamento da produção cinematográfica Dark Horse. A obra homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro e está no centro de apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

O pedido para prorrogar o inquérito por mais 90 dias foi encaminhado pelo delegado Anderson Rodrigo Andrade de Lima ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A corporação busca aprofundar a análise sobre a origem dos recursos e a finalidade das remessas financeiras enviadas ao exterior, que têm ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Em seu depoimento, o delator afirmou que não sabia que os recursos repassados aos Estados Unidos seriam destinados à produção do filme. Segundo ele, as transferências de US$ 12,3 milhões feitas por sua empresa, a Entre Investimentos, serviriam para a subscrição temporária de cotas de um fundo imobiliário, a pedido de Vorcaro, para contornar dificuldades em contas internacionais.

No entanto, a Polícia Federal destacou que uma carta-acordo enviada à empresa mencionava expressamente a produção da obra cinematográfica. Para os investigadores, o documento contradiz a versão de que o colaborador desconhecia a destinação do dinheiro, o que motivou a solicitação de uma nova oitiva e a complementação de documentos.

Os repasses somaram cerca de R$ 72 milhões enviados ao exterior entre fevereiro e setembro de 2025, enquanto o empresário relatou ter recebido R$ 90 milhões em território brasileiro para compensar as operações. Freixo Júnior declarou que descobriu o real propósito do fundo apenas após a repercussão do caso na imprensa e que tentou reaver os valores sem sucesso.

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, formalmente investigado no caso, tem negado irregularidades e afirmado que os recursos são estritamente privados. Durante sabatina recente, ele evitou prestar contas detalhadas sobre o projeto e declarou que a produtora responsável já havia realizado esse processo, embora a afirmação não condizente com a realidade tenha gerado questionamentos.

A apuração também aponta que o deputado federal Eduardo Bolsonaro teria atuado na orientação sobre a gestão dos recursos no exterior, por meio de um fundo sediado no Texas administrado por um advogado ligado à família. A defesa dos envolvidos e os desdobramentos da colaboração premiada continuam sob análise da Suprema Corte.

Fontes consultadas

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