Ponte Preta vive crise financeira e marca negativa na Série B
Clube campineiro acumula rebaixamentos, queda histórica de aproveitamento e dívidas milionárias dentro e fora de campo.
A Ponte Preta enfrenta um dos momentos mais difíceis de sua história centenária, acumulando graves problemas administrativos, condenações judiciais e uma campanha desastrosa na Série B do Campeonato Brasileiro. Já rebaixada matematicamente para a Série C de 2027, a equipe de Campinas também estabeleceu uma marca negativa na competição ao ficar 22 partidas consecutivas sem vencer.
Sob a gestão do atual grupo político, liderado pelo presidente Luiz Antonio Alves Torrano e com Marco Antonio Eberlin no comando do futebol, o aproveitamento do time na Série B caiu para 32,2%. O índice considera 143 pontos somados em 148 jogos nas edições de 2022, 2023, 2024 e 2026. A marca fica consideravelmente abaixo dos registros de gestões anteriores, como os 47,9% obtidos entre 2007 e 2011 e os 46,71% do período entre 2018 e 2021.
Na atual temporada, a campanha da Macaca é ainda mais alarmante. Com apenas 14 pontos conquistados em 34 rodadas, o aproveitamento despenca para 13,73%. Faltando quatro partidas para o encerramento do campeonato, o clube precisa somar mais quatro pontos para evitar ultrapassar a marca negativa histórica de 17 pontos registrada pelo Duque de Caxias na edição de 2011.
Os reflexos da crise também atingem os bastidores e as finanças institucionais. Uma auditoria realizada durante tratativas para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol, que acabou rejeitada pelos associados, estimou o endividamento total da associação em aproximadamente R$ 320 milhões, desconsiderando um débito de cerca de R$ 20 milhões em IPTU. O déficit mensal da instituição foi apontado em torno de R$ 2,8 milhões.
A falta de recursos provocou impactos diretos no pagamento de funcionários e atletas. Jogadores chegaram a paralisar as atividades em agosto como forma de protesto contra salários atrasados que, em casos específicos, acumulavam cerca de um ano sem quitação. Além disso, o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região registrou centenas de ações trabalhistas contra o clube desde 2022.
Entre as cobranças recentes, a Justiça condenou a Ponte Preta a pagar uma dívida de mais de R$ 53 mil a uma padaria vizinha ao Estádio Moisés Lucarelli, referente ao fornecimento de alimentos desde maio de 2025. O magistrado responsável apontou que a tentativa do clube de afastar a obrigação em juízo contrariava o princípio da boa-fé, visto que a diretoria já havia reconhecido publicamente a pendência financeira.
Apesar da condenação, o pagamento deverá seguir as normas do Regime Centralizado de Execuções para respeitar o plano de credores da instituição. Enquanto tenta reorganizar suas contas e lidar com a enxurrada de processos judiciais, a equipe se prepara para enfrentar o Fortaleza na próxima rodada da competição nacional.